Consumidor de energia paga R$10 bi extras, mas contas de distribuidoras não fecham

quinta-feira, 22 de outubro de 2015 16:32 BRST
 

Por Luciano Costa

SÃO PAULO (Reuters) - As bandeiras tarifárias, cobradas nas contas de luz a partir deste ano, arrecadaram 9,6 bilhões de reais dos consumidores até agosto, dos quais quase metade (4,2 bilhões) foram utilizados para cobrir custos das distribuidoras decorrentes de uma menor produção das hidrelétricas devido à seca, segundo dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) compilados pela Reuters.

Ainda assim, as empresas do setor de distribuição de energia têm se queixado à Aneel de que as tarifas ainda não cobrem todos os custos --o que as obriga a captar recursos no mercado para cumprir com obrigações financeiras.

As bandeiras foram implementadas a partir de janeiro para apoiar as distribuidoras, que têm sofrido com uma defasagem nas tarifas cobradas dos consumidores, puxada por uma elevação de custos causada pela menor geração hídrica e pela compra de energia de termelétricas, que são bem mais caras.

"Esse é um problema generalizado no setor... você tem um acúmulo. As distribuidoras estão tendo que liquidar (compromissos financeiros) no curto prazo, mas elas simplesmente não têm caixa para isso", afirmou à Reuters o sócio-diretor da LMDM Consultoria, Diogo Mac Faria.

A defasagem é contabilizada numa "conta virtual", conhecida no setor como CVA, e repassada para os consumidores no reajuste tarifário de cada distribuidora. Mas as empresas têm alegado que a conta ficou pesada demais para ser carregada até que a Aneel autorize as elevações nas tarifas.

O diretor de Regulação da distribuidora Bandeirante, Donato Filho, disse na terça-feira, durante reunião na Aneel, que a empresa acumula um déficit tarifário de 587 milhões de reais neste ano, que começa a ser repassado aos consumidores a partir de um reajuste recém-aprovado.

Na mesma reunião, o diretor de Relações Institucionais da Cemig, Luiz Fernando Rolla, disse que a estatal mineira acumula uma defasagem de 1 bilhão de reais nas tarifas de sua unidade de distribuição.

  Continuação...