Dólar recua ao patamar de R$3,90 com alívio externo, após quatro altas seguidas

quinta-feira, 22 de outubro de 2015 17:25 BRST
 

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar fechou em queda ante o real nesta quinta-feira, após quatro dias seguidos de avanço, refletindo o alívio nos mercados emergentes de câmbio diante de expectativas de que a política monetária continue expansionista na zona do euro e nos Estados Unidos.

O dólar recuou 0,90 por cento, a 3,9075 reais na venda, após acumular alta de 3,75 por cento nas quatro sessões anteriores em meio a pressões internas e externas.

"Sem novidades vindas de Brasília, agentes domésticos aproveitaram o discurso do presidente do BCE (Banco Central Europeu), Mario Draghi, que sinalizou que a instituição pode aumentar o programa de relaxamento quantitativo na reunião de dezembro... e partiram para uma sessão de realização de lucros", escreveu o operador da corretora SLW João Paulo de Gracia Correa em nota a clientes.

O BCE manteve as taxas de juros na mínima histórica e deixou inalterados os principais parâmetros de seu programa de "quantitative easing" (QE), mas disse que vai reexaminar a medida em sua reunião de dezembro, alimentando expectativas de que pode manter seus estímulos por mais tempo do que o previsto.

O bom humor externo veio também na esteira de uma rodada recente de dados mistos, que sustentou apostas de que o Federal Reserve, banco central norte-americano, não elevará os juros neste ano. A recuperação das bolsas chinesas nesta quinta-feira completou o quadro.

Nesse contexto, o dólar caía contra moedas como o peso mexicano e o rand sul-africano.

O dólar chegou a operar em alta durante a manhã, atingindo 3,9647 reais na máxima da sessão, refletindo as preocupações dos investidores com o quadro doméstico difícil, mas anulou o avanço em linha com outros mercados emergentes ao longo do discurso do presidente do BCE, Draghi.

Outro fator que pesou ao longo do dia, foi a decisão do BC de manter a Selic nos atuais 14,25 por cento e desistir da missão de trazer a inflação para o centro da meta no ano que vem, adiando o objetivo para 2017. Operadores entenderam a decisão como sinal de que as chances de os juros básicos voltarem a subir no curto prazo são pequenas, apesar de o BC ter prometido vigilância.

"O BC indicou que os juros não devem subir, o que deixa o país menos atraente para estrangeiros", disse o gerente de câmbio da corretora BGC Liquidez, Francisco Carvalho.   Continuação...