Fibria encontra resistência para implementar alta de preço de celulose na China

sexta-feira, 23 de outubro de 2015 11:33 BRST
 

SÃO PAULO (Reuters) - A maior produtora de celulose de eucalipto do mundo, Fibria, está enfrentando resistência de alguns compradores chineses para implementar aumento de preço do insumo anunciado em agosto e com validade a partir de setembro, afirmou o diretor comercial da companhia, Henri Philippe van Keer, nesta sexta-feira.

Segundo Keer, a demanda por papel e celulose na China "continua boa" e a resistência à implementação do reajuste se deve mais a movimentos de alguns compradores no país para derrubar o preço do insumo.

O aumento que seria implementado em setembro foi de 20 dólares a tonelada, com o preço nos Estados Unidos passando a 920 dólares a tonelada, na Europa a 830 dólares e na Ásia a 720 dólares. O reajuste foi o quarto anunciado pela companhia apenas em 2015.

A Fibria vinha já há vários trimestres conseguindo implementar reajustes de preços na Ásia. Perguntado se a resistência contra o último aumento poderia significar um movimento de recuo do ciclo de alta, Keer respondeu que "podemos ter uma reversão desses aumentos, podemos ter uma consolidação. Tudo vai depender da atuação dos outros participantes do mercado".

O executivo afirmou que a Fibria avalia que desde junho não houve nenhum aumento de estoques de papel ou celulose na China e que apenas dois grupos no país estão fazendo compras no mercado à vista, fora de contratos com grandes fornecedores como a Fibria.

"Teve certa resistência do mercado (...) estamos chegando a um preço bastante alto e a margem de alguns papeleiros está sendo espremida", disse Keer durante teleconferência com jornalistas.

O diretor comercial da companhia comentou ainda que a projeção de crescimento menor da China em 2016 não necessariamente implica uma queda na demanda por celulose no país, uma vez que parte do recuo do PIB chinês ocorre devido ao setor de infraestrutura.

"O consumo (de papel) da China não está relacionado ao PIB, tem mais relação com a taxa de consumo interno, que está aumentando", disse Keer.

No início do mês, o Fundo Monetário Internacional (FMI) estimou o crescimento da China desacelerando para 6,8 por cento este ano e para 6,3 por cento em 2016.   Continuação...