Mercado vê térmicas a GNL com mais espaço no próximo leilão de energia A-5

sexta-feira, 23 de outubro de 2015 14:38 BRST
 

SÃO PAULO (Reuters) - O momento do mercado de Gás Natural Liquefeito (GNL), com preços em baixa e perspectiva de sobreoferta nos próximos anos, abre uma janela de oportunidade para que os investidores apostem na importação do combustível para abastecer termelétricas no Brasil, afirmaram especialistas.

O próximo leilão de energia que o país promoverá para a contratação de projetos de maior porte, agendado para fevereiro de 2016, terá 18,7 mil megawatts em usinas a gás natural, das quais a maior parte é de projetos que utilizarão GNL, segundo a estatal Empresa de Pesquisa Energética (EPE).

As usinas a gás natural representam mais que uma hidrelétrica de Itaipu em projetos, ou quase 40 por cento da capacidade inscrita para disputar o leilão, que contratará empreendimentos para início de operação em 2021.

"O mercado internacional de GNL está em um momento especial para interessados em comprar, em função de os preços terem caído e haver grande disponibilidade dos produtores em oferecer ofertas de contratação em níveis competitivos", afirmou diretor da consultoria Gas Energy, Ricardo Pinto.

Além disso, há uma expectativa de que o governo aproveite para contratar os projetos termelétricos, em uma busca por maior segurança para o sistema elétrico do Brasil, que enfrenta níveis baixos nos reservatórios das hidrelétricas há três anos e tem utilizado térmicas mais caras, a óleo diesel, para atender a demanda.

"Fica claro que a entrada do gás em nossa matriz (elétrica) passa a ser uma necessidade. Já chegamos em uma situação em que está evidente para todo mundo que vai haver necessidade de geração térmica permanente, e não só eventual", disse o consultor Paulo Cunha, da FGV Energia.

O país já utiliza termelétricas a GNL, com a Petrobras importando o combustível para regaseificá-lo em terminais locais, mas o cenário mais favorável no mercado deve tornar a opção mais segura e viável para investidores privados.

"O preço do GNL importado pela Petrobras já está parecido com o do gás doméstico e do gás boliviano. Será que esse preço vai ficar baixo por muito tempo e vai ter oferta grande para o Brasil? Minha visão é de que sim, no médio prazo há excesso de oferta no mercado internacional", analisou o professor do Grupo de Economia da Energia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (GEE-UFRJ), Edmar de Almeida.

O GNL da Ásia é negociado perto de 7 dólares por milhão de BTU, próximo do preço de lançamento do produto, em 2010, uma mínima histórica de 6,75 dólares.   Continuação...