Brasil passa a monitorar multinacionais nacionais para evitar corrupção no exterior

sexta-feira, 23 de outubro de 2015 18:32 BRST
 

Por Anthony Boadle

BRASÍLIA (Reuters) - Instigado por um grande escândalo de corrupção, o Brasil começou a vigiar suas empresas multinacionais por práticas corruptas que possam adotar em outros países, disse à Reuters o ministro-chefe da Controladoria-Geral da União (CGU), Valdir Simão.

Seis anos depois de incentivar conglomerados nacionais a se aventurarem no exterior, aproveitando o crédito barato e regulamentação mais branda, o governo está agora agindo para assegurar que essas empresas cumpram com os padrões internacionais de transparência e governança corporativa.

Simão disse que a CGU começou a coletar informações sobre as operações no exterior das empresas brasileiras e está conversando com autoridades dos Estados Unidos fazer parte de um acordo de cooperação de combate à corrupção corporativa.

“Estamos elaborando um mapa de risco para identificar aonde estão presentes as empresas brasileiras, em que mercados, que atividade econômica e com que intensidade, quais são as áreas de maior risco, e definir prioridades para acordos bilaterais”, disse Simão em entrevista à Reuters nesta semana.

As autoridades brasileiras já trocaram informação com o Departamento de Justiça dos Estados Unidos e a Securities and Exchange Comission (SEC), órgão regulador do mercado norte-americano, sobre a investigação de corrupção envolvendo a Petrobras, disse.

As empresas brasileiras se expandiram rapidamente no exterior nos últimos anos, comprando competidores estrangeiros nos setores de carne, cerveja e mineração, movidas por um período de forte expansão no país e juros baixos nos empréstimos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Simão afirmou que a CGU está se preparando para lidar com casos internacionais de suborno que podem envolver companhias do Brasil em outras países.

Um pacto com os EUA é vital, mesmo se as empresas brasileiras não estiverem baseadas lá, porque a maioria dos negócios globais são realizados em dólares norte-americanos e podem estar sob jurisdição dos EUA, explicou Simão.   Continuação...