Dólar reduz queda e opera praticamente estável ante real, por incerteza local

segunda-feira, 26 de outubro de 2015 14:31 BRST
 

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar reduzia a queda sobre o real nesta segunda-feira, com investidores comprando divisas em meio ao cenário político e econômico difícil no Brasil, sessão marcada por poucos negócios e que deixava o mercado sensível a operações pontuais.

Durante boa parte da manhã, a moeda norte-americana foi negociada em queda, diante da expectativa de que o Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, não deve elevar os juros neste ano.

Às 12:45, o dólar recuava 0,04 por cento, a 3,8889 reais na venda, após cair 1,65 por cento na mínima do dia, para 3,8263 reais. Nas duas sessões anteriores, a moeda norte-americana acumulou queda de 1,33 por cento.

"O mercado está sem lote nenhum, a liquidez está muito ruim. Qualquer cotação de saída provoca uma correção", disse o especialista em câmbio da corretora Icap Italo Abucater.

Investidores vêm evitando fazer grandes operações, com medo de serem pegos de surpresa por notícias ruins sobre as contas públicas ou as turbulências políticas no Brasil. Nesta semana, o governo deve anunciar previsão de déficit primário para este ano, o que aumenta o temor de que o país possa perder seu selo de bom pagador com outras agências além da Standard & Poor's.

Segundo o ministro-chefe da Casa Civil, Jaques Wagner, o tamanho do déficit primário ainda não está fechado, porque é preciso levar em consideração outras variáveis, como equalização de juros.

"A novela continua, mas parece que o final vai ser triste", resumiu o operador de uma corretora internacional.

Mais cedo, o dólar chegou a cair com força, refletindo o bom humor nos mercados externos. Após reunião de dois dias, o Fed divulgará na quarta-feira sua decisão, sob amplas expectativas de que mantenha os juros perto de zero, em meio a sinais de que a fraqueza na economia global, sobretudo na China, vem afetando a recuperação da maior economia do mundo.

Muitos acreditam que os juros nos EUA não vão subir nem em dezembro, quando o Fed se reúne novamente. A perspectiva de que as taxas permaneçam baixas favorece ativos de mercados emergentes, que tendem a atrair capitais por oferecerem rendimentos mais elevados.   Continuação...

 
Casa de câmbio em São Paulo. 24/09/2015 REUTERS/Nacho Doce