Dólar sobe e vai a R$3,92, após Fed sinalizar alta de juros

quarta-feira, 28 de outubro de 2015 17:09 BRST
 

Por Bruno Federowski

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar fechou em alta e foi a 3,92 reais nesta quarta-feira após o Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, deixar a porta aberta para alta dos juros em dezembro, o que poderia atrair capitais atualmente aplicados em países como o Brasil.

O dólar avançou 0,60 por cento, a 3,9201 reais na venda, após chegar a cair mais de 1 por cento na mínima do dia, a 3,8560 reais. Logo após a decisão do Fed, o dólar saltou mais de 1 por cento, indo à máxima do dia a 3,9396 reais.

"A probabilidade de o Fed elevar os juros em dezembro cresceu", disse o economista da 4Cast Pedro Tuesta, referindo-se à próxima reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês).

Nesta tarde, o Fed informou que ainda está monitorando os desenvolvimentos econômicos e financeiros no exterior, mas não repetiu que os riscos globais terão impacto provável na economia dos EUA, como havia advertido na reunião anterior, em setembro. A omissão marcou uma suavização no tom quando comparado ao comunicado do mês passado.

Após a divulgação do comunicado, os contratos de juros futuros norte-americanos passaram a mostrar chance de 47 por cento de o Fed aumentar a taxas em sua próxima reunião, em dezembro, contra 34 por cento previamente.

"O mercado está corrigindo posições que havia assumido porque considerou que o tom do Fed seria 'dovish'. Mas, por outro lado, a menor preocupação com a economia global é algo positivo", acrescentou Tuesta.

O dólar também avançou contra moedas como os pesos chileno e mexicano.

Operadores afirmaram que o mercado continuava mostrando poucos negócios, afetados pelo quadro local incerto. Na véspera, o governo brasileiro previu que o setor público consolidado fechará o ano com déficit primário de cerca de 50 bilhões de reais, mas esse número pode piorar ainda mais se houver frustração de receitas e contabilizar o pagamento das chamadas "pedaladas fiscais".   Continuação...