Usiminas cortará investimento pela metade em 2016, mas alavancagem vai subir

quinta-feira, 29 de outubro de 2015 14:34 BRST
 

SÃO PAULO (Reuters) - A Usiminas deve cortar pela metade os investimentos em 2016, mas a empresa não espera que o corte produza uma redução no nível de endividamento nos próximos trimestres o que vai obrigar o pedido de autorização de credores para descumprimento de limites de dívida, afirmou o vice-presidente financeiro da siderúrgica, Ronald Seckelmann, nesta quinta-feira.

O executivo disse em teleconferência com analistas que o investimento em 2015 ficará abaixo de 750 milhões de reais, que já é menor que o 1,11 bilhão de reais aplicados em 2014.

A Usiminas terminou setembro com uma relação de dívida líquida sobre lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) de 6,8 vezes, bem acima do nível acordado com credores de 3,5 vezes e dos 3,7 vezes do final de junho.

"Dentro das circunstâncias de mercado vamos trabalhar nos próximos 12 a 18 meses para refinanciar nossos próximos vencimentos", disse Seckelmann, citando que a empresa também segue avaliando venda de ativos e implementando medidas para reduzir capital de giro.

Segundo ele, a maior parte dos limites de endividamento (covenants) acertado com credores refere-se à dívida líquida.

Seckelmann, porém, afirmou que "não tem a menor ideia" sobre as condições que serão exigidas pelos credores da Usiminas para aceitarem a quebra dos covenants mais uma vez. A empresa já tinha pedido permissão (waiver) para desobedecer covenants em junho. Os períodos de verificação ocorrem ao final do segundo e quarto trimestres de cada ano.

O vice-presidente financeiro da Usiminas disse que o conjunto de credores da empresa "é pequeno". "Temos poucas operações de mercado. A Usiminas desfruta de ótimo relacionamento com credores o que deve facilitar as conversas", disse Seckelmann aos analistas.

Às 14h16, as ações da Usiminas recuavam 1,72 por cento, enquanto o Ibovespa mostrava baixa de 1,33 por cento. Desde o começo do ano, as ações acumulam desvalorização de 42 por cento até o fechamento de quarta-feira.

O presidente-executivo da Usiminas, Rômel Erwin, afirmou aos analistas que os números negativos da companhia exigem da administração "um posicionamento contundente e firme", mas durante a teleconferência os executivos não informaram metas para recuperação dos resultados da companhia.   Continuação...