Brasil tem déficit primário de R$7 bi em setembro, diz BC

quinta-feira, 29 de outubro de 2015 15:35 BRST
 

BRASÍLIA (Reuters) - O setor público brasileiro registrou déficit primário de 7,318 bilhões de reais em setembro, informou o Banco Central nesta quinta-feira, desempenho melhor que o projetado pelo mercado e ajudado por menor pagamento com benefícios previdenciários no mês passado.

Em pesquisa Reuters, analistas estimavam déficit primário de 20 bilhões de reais para o mês passado.

O saldo negativo foi puxado principalmente pelo governo central (governo federal, INSS e BC), com resultado negativo de 6,840 bilhões de reais no mês, diante do não pagamento do adiantamento de 13º salário a aposentados. O desembolso ficará para outubro, enquanto no ano passado foi feito em setembro.

Enquanto isso, Estados e municípios registraram superávit primário de 415 milhões de reais no mês, ao passo que empresas estatais tiveram déficit de 894 milhões de reais.

Em 12 meses, o déficit primário em 12 meses do setor público melhorou a 0,45 por cento do Produto Interno Bruto (PIB), contra patamar revisado pelo BC de 0,77 por cento em agosto na mesma base de comparação.

Para o ano, o governo prevê deterioração nesse índice, após projetar novo rombo primário mínimo de 48,9 bilhões de reais, equivalente a 0,85 por cento do PIB.

A equipe econômica deixou em aberto a possibilidade de amargar déficit ainda maior caso o governo não consiga levantar recursos com leilão de hidrelétricas e tenha que pagar as chamadas "pedaladas fiscais", com possibilidade de o déficit primário do setor público chegar a 110 bilhões de reais neste ano.

A perspectiva para a meta de resultado primário foi piorada pela segunda vez em três meses, após o governo apontar em julho que perseguiria superávit primário --economia feita para pagamento de juros-- equivalente a 0,15 por cento do PIB em 2015, sobre percentual de 1,1 por cento anteriormente.

A contínua deterioração fiscal é fruto de uma série de fatores. Ao mesmo tempo em que a recessão econômica prejudica a arrecadação tributária, a crise política vem emperrando a votação de projetos importantes no âmbito do ajuste fiscal, dificultando a obtenção de recursos extraordinários.   Continuação...