Tombini diz a parlamentares que não se deve mexer nas reservas internacionais

quinta-feira, 29 de outubro de 2015 16:19 BRST
 

Por Marcela Ayres

BRASÍLIA (Reuters) - O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, defendeu a parlamentares nesta quinta-feira que o Brasil não deve mexer nas reservas internacionais no atual contexto, já que elas têm funcionado como um seguro para a economia brasileira, segundo gravação feita por um dos participantes da reunião obtida pela Reuters.

"Não apoiamos essas iniciativas de fazer encontros de passivos e ativos usando as reservas internacionais, porque hoje é um colchão, é um seguro para a economia brasileira, e tem funcionado bem", disse Tombini, que reuniu-se nesta manhã com deputados da Comissão de Finanças e Tributação (CFT) da Câmara dos Deputados.

"A prova do pudim é justamente a que nós estamos vivendo hoje. Ou seja, com toda essa confusão internacional, com todas as incertezas em relação à economia brasileira, nós temos uma tranquilidade do ponto de vista do financiamento externo da economia brasileira neste momento. Não mexeria nas reservas neste contexto", acrescentou.

No mês passado, intensa volatilidade no mercado de câmbio alimentou debates nos mercados financeiros sobre a possibilidade de o BC entrar no mercado à vista vendendo dólares das reservas. Na época, a moeda norte-americana atingiu sua máxima histórica no intradia, encostando em 4,25 reais.

O BC reagiu reforçando suas intervenções no mercado com leilões de venda de dólares com compromisso de recompra e leilões de novos swaps cambiais, contratos equivalentes a venda futura de divisas. Não fez, porém, leilões no mercado à vista, deixando intocadas as reservas internacionais, que somavam 371,5 bilhões de dólares em 27 de outubro.

Também houve discussões sobre o país usar suas reservas internacionais para cobrir parte do rombo fiscal, em meio ao cenário de recessão econômica.

O presidente do BC, também no mês passado, não chegou a descartar o uso das reservas no mercado cambial, dizendo que elas eram um seguro que "pode e deve" ser utlizado. Na prática, o que ele indicou era que o colchão já estava sendo usado, mas como uma espécie de lastro aos swaps cambias.

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Tombini, durante reunião do FMI em Lima 8/10/2015 REUTERS/Paco Chuquiure