Aneel aprova apoio a hidrelétricas que pode elevar lucros em até R$1,5 bi em 2015

terça-feira, 3 de novembro de 2015 18:37 BRST
 

Por Luciano Costa

SÃO PAULO (Reuters) - A diretoria da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou nesta terça-feira uma proposta para compensar as hidrelétricas que tiveram perdas de faturamento neste ano devido à seca que poderá elevar o lucro líquido das empresas do setor em até 1,5 bilhão de reais em 2015.

A proposta, que é a terceira apresentada pelo regulador para solucionar o problema, que gerou uma guerra judicial no mercado, dá todos elementos para que as elétricas optem por aceitar ou não a compensação, segundo o diretor Tiago de Barros, responsável pelo processo na Aneel.

Caso aceitem, as companhias precisarão retirar ações judiciais com as quais obtiveram proteção contra perdas com o déficit de geração das usinas hídricas a partir do final do primeiro semestre.

As ações das elétricas fecharam em forte alta após a aprovação da proposta pela Aneel, com Eletrobras e Tractebel subindo quase 8 por cento e mais de 6 por cento, respectivamente, enquanto EDP Energias do Brasil e CPFL Energia subiram 5 por cento e 3,8 por cento. O Ibovespa teve alta de 4,7 por cento.

O efeito no lucro estimado pela Aneel considera um cenário em que todas as empresas aceitem o pacto e optem pela transferência de todo o risco hidrológico ao consumidor, mediante o pagamento de um "prêmio de risco" pelos geradores.

Nesse caso, haveria, ainda, "impacto aproximado de 2,5 bilhões de reais no Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) dos geradores", segundo nota técnica da Aneel.

"Dessa forma, o lucro líquido (das geradoras) do primeiro semestre de 2015 pode ficar quase idêntico ao lucro anual obtido em 2014, apenas em função da aplicação retroativa do mecanismo de repactuação (do risco de seca)", afirmam os técnicos da Aneel.

As empresas alegam que enfrentam perdas de faturamento desde 2014 devido à falta de chuvas, que faz com que a operação do sistema elétrico priorize o uso de usinas térmicas e assim diminui a produção das hídricas, que precisam comprar energia mais cara no mercado de curto prazo para cumprir contratos.   Continuação...