OCDE vê maior recessão no Brasil em 2015 e 2016; crescimento virá com ajustes

quarta-feira, 4 de novembro de 2015 12:12 BRST
 

SÃO PAULO (Reuters) - A economia brasileira vai contrair mais de 3 por cento neste ano, sem perspectiva de recuperação em 2016, previu a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) nesta quarta-feira, destacando a necessidade de o país implementar ajustes e recuperar a confiança dos agentes econômicos.

Segundo a OCDE, o Brasil vai registrar contração econômica de 3,1 por cento em 2015 e de 1,2 por cento em 2016, contra estimativas em setembro de queda de 2,8 e 0,7 por cento, respectivamente.

"Uma vez que os ajustes fiscais melhorarem e a inflação começar a voltar à meta, haverá claros benefícios ao crescimento já que a recuperação da confiança sustentará investimentos e consumo mais fortes, particularmente se aliada à implementação de reformas estruturais", destacou a OCDE em relatório sobre pesquisa econômica.

O Brasil passa por recessão econômica que pode ser a mais intensa desde os anos 1930, aprofundada pela intensa crise política e pela dificuldade de o governo em colocar as contas em ordem.

Durante 2017, segundo a OCDE, o crescimento da economia brasileira deve retornar "gradualmente" na direção do potencial de expansão, que tem sido afetado por gargalos no lado da oferta e baixo investimento no passado.

A OCDE também projetou inflação no final de 2015 em 9,4 por cento, mas vê que ela cairá com força a 4,9 por cento no ano seguinte.

Pesquisa Focus do Banco Central junto a uma centena de economistas mostra que a expectativa é de contração do PIB de 3,05 por cento este ano e de 1,51 por cento em 2016, com a inflação medida pelo IPCA em respectivamente 9,91 e 6,29 por cento.

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Secretário-geral da OCDE, José Ángel Gurria, participa de seminário em Brasília. 03/11/2015 REUTERS/Ueslei Marcelino