ENTREVISTA-Greve da Petrobras é contra política econômica de Dilma, diz conselheiro

quarta-feira, 4 de novembro de 2015 16:31 BRST
 

Por Marta Nogueira

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A greve dos funcionários da Petrobras, liderada por petroleiros historicamente ligados ao PT, "é uma crítica clara e aberta" contra a atual política econômica do governo federal, que vai de encontro a questões que sempre foram defendidas pelo atual partido governista, como um maior poder do Estado sobre as riquezas do país.

A afirmação é do sindicalista e representante dos trabalhadores no Conselho de Administração da Petrobras, Deyvid Bacelar, integrante da Federação Única dos Petroleiros (FUP), que apoiou a reeleição da presidente Dilma Rousseff.

A mobilização, que registra impacto expressivo na produção da Petrobras, com repercussões até nos preços internacionais do petróleo, só será suspensa quando a categoria obtiver sinalização do governo federal sobre uma reformulação do plano de venda de ativos da estatal, segundo o conselheiro. A empresa prevê desinvestimentos de mais de 15 bilhões de dólares até 2016.

"Ninguém aqui está falando em impeachment, golpe. A gente aqui está fazendo uma crítica a um posicionamento equivocado do governo federal que é representado pela presidente (Dilma Rousseff)", disse Bacelar, em entrevista à Reuters nesta quarta-feira.

Afetada por um escândalo de corrupção e atingida pela queda nos preços do petróleo, a Petrobras está no meio de um processo de reestruturação que inclui demissões, cortes de investimentos, despesas e até de alguns benefícios trabalhistas concedidos aos empregados, visando reduzir sua dívida, a maior de uma empresa do setor no mundo.

Dessa forma, não é à toa que esta greve na estatal já é considerada a maior dos últimos 20 anos. No último grande movimento grevista, é bom lembrar, a FUP estava à frente contra a quebra do monopólio estatal no setor.

Para o conselheiro, que foi preso no início da semana por suposto desacato a policial durante uma manifestação grevista na Bahia, a atual política econômica "infelizmente replica algumas ações negativas nas estatais e na Petrobras". Segundo ele, a venda de ativos dessas empresas integraria o plano do ajuste econômico comandado pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy.

Os sindicatos também são contra mudanças no modelo de partilha de exploração do petróleo, instaurado pelo governo do PT para que o Estado pudesse se apropriar de uma parcela maior das riquezas do pré-sal.   Continuação...