Negociação para contrato de longo prazo de nafta não caminha para fórmula variável, diz Braskem

quinta-feira, 5 de novembro de 2015 13:09 BRST
 

SÃO PAULO (Reuters) - O presidente da Braskem (BRKM5.SA: Cotações), Carlos Fadigas, afirmou nesta quinta-feira que as negociações da empresa com a Petrobras (PETR4.SA: Cotações) em torno de um contrato de longo prazo para fornecimento de nafta não estão seguindo para uma definição de uma fórmula variável, preferência da petroquímica.

Segundo ele, a empresa propôs à Petrobras uma fórmula de precificação da matéria-prima com variação de 90 a 110 por cento da referência internacional, "mas a Petrobras não aceita nada abaixo da referência internacional e sendo assim nós também não aceitamos nada acima da referência internacional".

Braskem e Petrobras estão há vários meses negociando um acordo bilionário de longo prazo para o fornecimento de nafta, o que tem forçado as empresas a acertarem seguidos aditivos contratuais válidos por algumas semanas. O último destes aditivos foi anunciado na semana passada, com duração de 45 dias a partir de 1o de novembro.

Fadigas afirmou que o impasse na discussão tem causado adiamento de investimentos em Estados como Bahia, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro, diante da pouca visibilidade sobre o fornecimento da matéria-prima.

Segundo o executivo, aos preços atuais do petróleo, "hoje a Braskem estaria pagando mais de 100 por cento da referência" à Petrobras se sua proposta tivesse sido aceita pela estatal.

"Em cenários de petróleo mais barato aceitamos pagar acima da referência. A Braskem aceita pagar e tem condições de pagar. Mas se, e somente se, a recíproca for verdadeira quando o cenário virar. Precisamos ter a contrapartida", disse Fadigas.

Mais cedo, a Braskem divulgou lucro líquido de 1,482 bilhão de reais, salto sobre o resultado positivo de 230 milhões no mesmo período do ano passado, impulsionado por ganhos financeiros gerados pela desvalorização do real ante o dólar e maiores volumes de vendas.

Fadigas afirmou que o quarto trimestre costuma ser sazonalmente mais fraco em termos de volumes de vendas, porém, a Braskem tem expectativa de que a cotação média do dólar ante o real seja mais alta no período que os 3,55 reais do terceiro trimestre, ajudando a sua competitividade.

O executivo manteve a previsão de que o mercado brasileiro de resinas vai ter queda de 5 a 7 por cento no volume de vendas este ano, mas que "a esta altura, a tendência de queda está mais para 7 do que para 5".   Continuação...