Brasil caminha para duas temporadas de recordes na exportação de milho, aponta pesquisa

quinta-feira, 5 de novembro de 2015 14:09 BRST
 

Por Gustavo Bonato

SÃO PAULO (Reuters) - O Brasil deverá exportar um recorde de 28,8 milhões de toneladas de milho na temporada comercial que termina em janeiro, acima das expectativas do governo, e superar essa marca em 100 mil toneladas no próximo ciclo (2016/17), mostrou nesta quinta-feira uma pesquisa da Reuters com analistas.

Os grãos brasileiros têm ganhado competitividade no mercado internacional, ocupando inclusive alguns espaços deixados pelos Estados Unidos --maior produtor e exportador global-- devido à desvalorização do real e aos preços mais elevados do produto norte-americano.

Nesta semana, dados oficiais da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mostraram que os embarques de milho do Brasil em outubro atingiram um recorde de 5,55 milhões de toneladas, superando em 40 por cento a marca histórica anterior, registrada dois anos antes.

A média das previsões de seis analistas consultados pela Reuters para o ano comercial entre fevereiro de 2015 e janeiro de 2016, que engloba as exportações do milho colhido no ano safra 2014/15, supera em 1,6 milhão de toneladas a previsão oficial da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) para a temporada, divulgada no início de outubro.

O último recorde foi registrado no ano comercial 2013/14, quando o país exportou 26,2 milhões de toneladas.

"Esse embarque que está saindo agora não foi construído agora, foi construído com vendas lá atrás... O que está puxando a exportação brasileira é a demanda", destacou o analista especializado em milho da consultoria Safras & Mercado, Paulo Molinari.

Produtores norte-americanos estão relutantes em fechar vendas, em meio à queda dos preços na bolsa de Chicago, o que reduz a oferta nos portos e eleva os prêmios ofertados pelo produto nos EUA, disse o especialista.

Atualmente, o milho norte-americano nos portos do Golfo do México está cerca de 15 dólares por tonelada mais caro que o produto nos portos brasileiros, deslocando o interesse dos importadores para o país sul-americano.   Continuação...