Venda da Moy Park e dólar levam Marfrig a lucro no 3º tri

sexta-feira, 6 de novembro de 2015 09:42 BRST
 

SÃO PAULO (Reuters) - A Marfrig teve lucro no terceiro trimestre, refletindo o efeito da alta do dólar sobre as receitas em moeda estrangeira e a venda da unidade Moy Park.

A companhia, uma das maiores produtoras de carne bovina do Brasil, anunciou nesta sexta-feira lucro líquido de 185,9 milhões de reais no período, ante prejuízo de 303,3 milhões de reais um ano antes. Não houve consenso entre analistas sobre se a companhia teria lucro ou prejuízo.

Um dos elementos que ajudaram a companhia a voltar ao azul foi o reconhecimento do ganho de capital de 1 bilhão de reais, líquido de impostos, referente à venda da Moy Park para sua rival JBS, anunciada em junho.

O resultado operacional da companhia medido pelo Ebitda (lucro antes de impostos, juros, depreciação e amortização, na sigla em inglês), somou 436,4 milhões de reais no período, alta de 40,5 por cento sobre mesma etapa de 2014.

Em termos ajustados, o Ebitda foi de 475 milhões de reais, avanço de 40,3 por cento em um ano. A previsão de analistas para essa linha foi de 560 milhões de reais.

No período, a receita líquida da Marfrig somou 4,94 bilhões de reais, alta de 30 por cento no comparativo anual, refletindo a valorização do dólar nas receitas das unidades internacionais e das exportações. Segundo a companhia, 61 por cento de suas receitas vieram de unidades fora do Brasil e 80 por cento do faturamento está atrelado a moedas estrangeiras.

Por outro lado, as despesas financeiras do período somaram 1,24 bilhão de reais, um salto de 76,9 por cento, também afetadas pelo efeito da alta do dólar sobre sua dívida em moeda estrangeira.

A companhia fechou setembro com uma dívida líquida de 7,2 bilhões de reais, o que equivalia 3,8 vezes o Ebitda de operações continuadas.

A empresa planeja reduzir seu endividamento bruto em até 1,2 bilhão de dólares até o fim de 2016. Essa dívida era de 15 bilhões de reais em setembro.

(Por Aluisio Alves)

 
Funcionário cortando carne em frigorífico da Marfrig em Promissão, São Paulo.  07/10/2011      REUTERS/Paulo Whitaker