Fed encara desafio sobre como justificar possível desaceleração do emprego, diz Bullard

sexta-feira, 6 de novembro de 2015 09:23 BRST
 

Por Howard Schneider

ST. LOUIS (Reuters) - O Federal Reserve tem se esforçado para convencer investidores de que está prestes a elevar a taxa de juros e agora encara o risco de uma provável desaceleração no crescimento do emprego ser interpretada como sinal de fraqueza na economia como um todo, o que poderia levar o banco central dos Estados Unidos a novamente deixar de agir, disse o presidente do Fed de St. Louis, James Bullard, na quinta-feira.

Em entrevista à Reuters, Bullard disse que os membros do Fed podem precisar embarcar em uma nova campanha de comunicação para convencer os mercados e o público de uma ideia contraintuitiva: a desaceleração no crescimento mensal do emprego é natural neste momento da recuperação e ainda permite que o Fed eleve os juros em dezembro.

É insustentável criar mais de 200 mil vagas de trabalho por mês, em média, durante a recuperação, disse Bullard, estimando que geração de entre 100 mil e 125 mil vagas por mês é suficiente para acompanhar o crescimento populacional e permitir que o crescimento econômico siga fique em linha com a tendência.

"Não se pode ficar acima da média o tempo todo", disse Bullard. "Não penso que os mercados compreenderam isso. Todos têm em mente 200 mil... As expectativas naturais são de que o ritmo do crescimento do emprego diminua nos próximos meses e trimestres. Estamos esperando que isso ocorra. E será normal, não um sinal de performance macroeconômica fraca."

Os dados de emprego mais recentes serão publicados nesta sexta-feira. Investidores vão analisá-los de perto em busca de pistas sobre os próximos passos do Fed. A desaceleração do crescimento do emprego em setembro provocou dúvida sobre se o Fed conseguiria prosseguir com seus planos de aumentar os juros.

Bullard, falando em uma sala de conferência do Fed de St. Louis, disse que explicar qualquer reviravolta no mercado de trabalho é uma das muitas dificuldades que o banco central pode enfrentar não apenas na aprovação de seu aumento da taxa de juros, mas na longa batalha de elevar os juros até um nível próximo ao normal.