Rompimento de barragem da Samarco deixa ao menos 2 mortos e dezenas de desaparecidos

sexta-feira, 6 de novembro de 2015 14:00 BRST
 

Por Stephen Eisenhammer

MARIANA, Minas Gerais (Reuters) - Pelo menos duas pessoas morreram e mais de 30 ficaram feridas devido ao rompimento de uma barragem de rejeitos da mineradora Samarco no interior de Minas Gerais, informou o Corpo de Bombeiros do município de Mariana nesta sexta-feira, acrescentando que ainda há dezenas de desaparecidos.

O incidente na tarde de quinta-feira na barragem da joint venture da Vale com a australiana BHP impactou negativamente as ações das empresas e deve influenciar a cotação do minério de ferro, considerando a importância da Samarco para o mercado global. A companhia, produtora de pelotas de minério de ferro, é uma das maiores exportadoras do Brasil.

As atividades na unidade de Germano da Samarco, próxima ao local do incidente, estão paralisadas.

Com o rompimento da barragem do Fundão, os rejeitos avançaram sobre o distrito de Bento Rodrigues, em Mariana, atingindo 90 por cento da uma comunidade com cerca de 560 habitantes e 170 casas, segundo a prefeitura de Mariana.

"Eu estava em casa e ouvi uma gritaria. Dava para ver a água vindo, 15 ou 20 metros de altura e vindo rápido", disse Antônio Geraldo Santos, de 32 anos, morador de Bento Rodrigues, enquanto aguardava na fila de um ginásio local transformado em abrigo para ser levado a um hotel.

"Eu moro em uma parte alta e saímos correndo para ajudar as pessoas na parte de baixo do vila. Dirigindo e pegando as pessoas. Com 10 minutos a parte de baixo inteira da vila foi destruída, cerca de 80 por cento. Acho que nunca mais vou voltar", acrescentou.

Mais de 100 bombeiros, 20 viaturas e três helicópteros participam da operação em busca de vítimas. Um porta-voz dos bombeiros de Mariana disse por telefone que, até o momento, foram confirmadas duas mortes e 30 pessoas feridas, além de dezenas de desaparecidos.

A Samarco disse em nota, no entanto, que ainda não é possível confirmar o número de vítimas e de desaparecidos.   Continuação...

 
Casa soterrada pela lama em Bento Rodrigues, Mariana (MG). 6/11/2015 REUTERS/Ricardo Moraes