Bombeiros seguem buscas após rompimento de barragens em Mariana

sexta-feira, 6 de novembro de 2015 19:30 BRST
 

Por Stephen Eisenhammer

MARIANA, Minas Gerais (Reuters) - Ao menos uma pessoa morreu e mais de 30 ficaram feridas devido ao rompimento de duas barragens de rejeitos da mineradora Samarco em Mariana, informou o Corpo de Bombeiros do município mineiro nesta sexta-feira, acrescentando que as buscas por desaparecidos continuam na região do desastre, que deixou um rastro de lama e destruição.

Inicialmente, os bombeiros informaram que havia dois mortos no acidente, mas no fim da tarde esclareceram no Twitter que uma segunda vítima fatal encontrada em Rio Doce, cerca de 100 quilômetros do local do desastre, "não foi confirmada se tem relação com a ocorrência em Mariana".

"É a pior crise da história da companhia", disse o diretor-presidente da Samarco, Ricardo Vescovi, em entrevista coletiva em Mariana. Segundo o executivo, um trabalhador morreu e 13 estão desaparecidos, sendo 12 de empresas terceirizadas e outro da própria Samarco.

O incidente na tarde de quinta-feira na barragem da joint venture da Vale (VALE5.SA: Cotações) com a australiana BHP (BHP.AX: Cotações) impactou negativamente as ações das empresas e deve influenciar a cotação do minério de ferro, considerando a importância da Samarco para o mercado global. A companhia, produtora de pelotas de minério de ferro, é uma das maiores exportadoras do Brasil.

As atividades na unidade de Germano da Samarco, próxima ao local do incidente, estão paralisadas. Segundo a empresa, ainda não há data para retomar as atividades da mina.

De acordo com Vescovi, a empresa realizava trabalhos de drenagem no sistema da represa antes dos rompimentos, mas ainda é muito cedo para determinar as causas do acidente na barragem. O diretor-presidente disse ainda que a empresa avalia a necessidade de declaração de força maior.

Com o rompimento das barragens, os rejeitos avançaram sobre o distrito de Bento Rodrigues, em Mariana, atingindo 90 por cento da uma comunidade com cerca de 560 habitantes e 170 casas, segundo a prefeitura de Mariana.

"Eu estava em casa e ouvi uma gritaria. Dava para ver a água vindo, 15 ou 20 metros de altura e vindo rápido", disse Antônio Geraldo Santos, de 32 anos, morador de Bento Rodrigues, enquanto aguardava na fila de um ginásio local transformado em abrigo para ser levado a um hotel.   Continuação...

 
Casa soterrada pela lama em Bento Rodrigues, Mariana (MG). 6/11/2015 REUTERS/Ricardo Moraes