Montadoras no Brasil podem acelerar corte de vagas após redução do PSI

sexta-feira, 6 de novembro de 2015 18:16 BRST
 

SÃO PAULO (Reuters) - As montadoras de veículos poderão ampliar o ajuste de produção e acelerar o corte de vagas no Brasil, depois que o governo federal reduziu o limite para operações do Programa de Sustentação do Investimento (PSI) e antecipou o prazo para pedido de financiamento, afirmou o presidente da Anfavea, Luiz Moan, nesta sexta-feira.

O governo federal reduziu no fim de outubro em 30,5 bilhões de reais para 19,5 bilhões de reais o limite de operações do PSI, o principal mecanismo de financiamento de caminhões e ônibus do país, afirmando que a medida não traria impacto diante da demanda fraca pelos recursos até o final de setembro, de 6,8 bilhões de reais.

Moan afirmou que o setor automotivo foi "negativamente surpreendido" pela antecipação do prazo para as requisições de financiamento.

"Com o encurtamento do tempo, houve uma corrida forte pelo financiamento, o que tira a previsibilidade do setor e perturba o planejamento das empresas", disse o presidente da entidade que representa o setor.

Moan citou como exemplo montadoras que estavam planejando ajustar a produção com uma redução de 20 por cento na jornada de trabalho neste final do ano e que podem ampliar o ajuste a partir da mudança no PSI.

Ele comentou que trabalhadores que não estão envolvidos por acordos já acertados do Programa de Proteção ao Emprego (PPE) podem acabar sendo demitidos, dada a demora em uma eventual renegociação de ampliação da proteção com sindicatos e autoridades.

Segundo Moan, atualmente a indústria de veículos do Brasil tem 34 por cento de sua força de trabalho sujeita a algum tipo de restrição. Ele disse que são 35,6 mil trabalhadores sob o PPE, 2,8 mil em férias coletivas e 6,6 mil com contratos de trabalho suspensos (layoff).

A indústria de veículos do Brasil acumula queda de 21,1 por cento na produção de janeiro a outubro sobre o mesmo período do ano passado, enquanto as vendas têm queda de 24,3 por cento, informou a Anfavea nesta sexta-feira. Considerando apenas caminhões, a queda acumulada na produção chega a 47 por cento, enquanto as vendas recuaram 45 por cento.

O setor fechou outubro com 132,7 mil postos de trabalho ocupados, queda de 9,7 por cento ante outubro de 2014, estendendo a tendência de diminuição iniciada em novembro de 2013.   Continuação...