Corrida para acelerar mineração no Brasil pode estar por trás de desastre em barragem

segunda-feira, 9 de novembro de 2015 18:57 BRST
 

Por Anthony Boadle e Alonso Soto

BRASÍLIA (Reuters) - As companhias mineradoras frequentemente reclamam que a burocracia sem fim torna os negócios difíceis no Brasil, mas os promotores e ambientalistas dizem que o rompimento das barragens da mina de minério de ferro, que causou uma inundação massiva na semana passada, aponta para lapsos na regulamentação.

As enchentes e o fluxo de lama mataram pelo menos duas pessoas e outras 25 ainda estão desaparecidas em um desastre que aconteceu dois anos após um estudo solicitado por um promotor alertar que as represas do Estado de Minas Gerais, rico em recursos minerais, poderiam entrar em colapso.

"Era evidente que esta barragem estava em risco", disse à Reuters Carlos Eduardo Pinto, um promotor estadual que investiga a indústria mineradora, referindo-se à primeira barragem que cedeu, levando à ruptura de outra.

Pinto está investigando se a barragem, um reservatório para água com rejeitos de mineração, estava muito cheia.

O rompimento das barragens aconteceu na quinta-feira em uma mina operada pela Samarco, uma joint venture entre a BHP Billiton, a maior empresa de mineração do mundo, e a Vale, maior produtora de minério de ferro.

Em 2013, quando a Samarco estava buscando a renovação de sua licença de operações, Pinto comissionou um estudo que descobriu um erro de design na barragem de rejeitos. Isto alertou que o aterro poderia ceder se ficasse saturado de água.

O Instituo Pristino, um grupo ambientalista composto por pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), recomendou que a companhia conduzisse um estudo sobre o rompimento de barragens e esboçasse um plano de contingências em caso de transbordamento.

Mas a agencia estatal licenciadora ignorou as recomendações e renovou a licença das minas uma semana após o estudo ser divulgado, em outubro de 2013.   Continuação...

 
Trabalhadores de resgate procuram vítimas em distrito de Bento Rodrigues, em Mariana.  8/11/2015.  REUTERS/Ricardo Moraes