Dólar avança acima de R$3,80 por dados da China, apesar de BC

terça-feira, 10 de novembro de 2015 11:25 BRST
 

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar avançava acima de 3,80 reais nesta terça-feira, após dados fracos sobre a economia chinesa golpearem o apetite por ativos de risco nos mercados globais, mesmo após o Banco Central anunciar leilão de venda de divisas com compromisso de recompra para esta tarde.

Às 10:13, o dólar avançava 0,23 por cento, a 3,8083 reais na venda, após terminar a sessão passada encostado em 3,80 reais.

"Dados fracos de inflação na China voltaram a alimentar preocupações sobre o desempenho da economia mundial", disse o operador da corretora Correparti Ricardo Gomes da Silva.

O índice de preços ao consumidor na segunda maior economia do mundo avançou 1,3 por cento em outubro sobre um ano antes, abaixo da alta de 1,5 por cento prevista por analistas em pesquisa da Reuters. Já o índice de preços ao produtor recuou 5,9 por cento no período, ante expectativa de queda de 5,8 por cento.

Sinais de fraqueza na China, combinados com apostas cada vez mais fortes de que os juros norte-americanos começarão a subir no mês que vem, vêm levando investidores a evitar ativos de maior risco, como aqueles denominados em moedas emergentes.

No Brasil, a aversão a risco ofuscava até mesmo a intervenção do BC, que ofertará nesta tarde até 500 milhões de dólares com compromisso de recompra. A operação, que não tem como fim rolar contratos já existentes, acontecerá em duas etapas: entre 15h15 e 15h20, o BC ofertará dólares com recompra em 4 de abril de 2016 e, entre 15h30 e 15h35, com recompra em 5 de julho de 2016.

O BC também dará continuidade, pela manhã, à rolagem dos swaps cambiais que vencem em dezembro, com oferta de até 12.120 contratos, que equivalem a venda futura de dólares.

Investidores ressaltavam ainda que o mercado continuava mais sensível a operações pontuais devido ao clima de incertezas locais com o cenário político e fiscal.

"O mercado continua desnorteado, sem clareza. Tem muito efeito manada", disse o operador de uma corretora internacional.

(Por Bruno Federowski)

 
Notas de real e dólar vistas em casa de câmbio no Rio de Janeiro.  10/09/2015   REUTERS/Ricardo Moraes