Cenibra suspende produção de celulose em MG após desastre da Samarco

terça-feira, 10 de novembro de 2015 14:06 BRST
 

SÃO PAULO (Reuters) - A Cenibra suspendeu a produção de celulose nas duas linhas de sua fábrica na cidade de Belo Oriente, Minas Gerais, após lama e detritos liberados com o rompimento da barragem da mineradora Samarco em Mariana terem alcançado área próxima ao local de captação de água.

Não há previsão para restabelecer as operações, suspensas desde sábado, devido à falta de informações oficiais sobre o incidente, disse a Cenibra em comunicado nesta terça-feira. "Alternativas para minimizar os impactos para a empresa e empregados estão em andamento", acrescentou.

A fábrica da Cenibra tem capacidade de produção de 1,2 milhão de toneladas de celulose por ano. Segundo o BTG Pactual, esse volume representa cerca de 4 por cento da capacidade mundial de produção do insumo de fibra curta.

O desastre na barragem da Samarco, uma joint venture entre a brasileira Vale e a anglo-australiana BHP Billiton, deixou ao menos três mortos e 24 desaparecidos e obrigou a cortes no fornecimento de água potável em cidades situadas a mais de 300 quilômetros de distância.

Analistas do Credit Suisse disseram que a parada da Cenibra é positiva para o preço da celulose, já que restringe a oferta, mas não é um catalisador para ações do setor na Bovespa, uma vez que deve ser provisória e de retorno rápido.

A Fibria, que capta água da região para sua fábrica em Aracruz, no Espírito Santo, disse que está usando reservatórios próprios com independência de 100 dias para abastecer a unidade, com capacidade de produzir 2,3 milhões de toneladas de celulose por ano. A companhia informou que está monitorando a situação.

Às 12h30, a ação da Fibria ganhava quase 4 por cento na bolsa paulista, enquanto a da rival Suzano Papel e Celulose subia 2,43 por cento. O Ibovespa tinha queda de 0,82 por cento.

(Por Priscila Jordão; Reportagem adicional de Paula Laier)

 
Helicóptero sobrevoa Bento Rodrigues, distrito de Mariana (MG) que foi coberto pela lama de barragens da Samarco após rompimento. 06/11/2015 REUTERS/Ricardo Moraes