Brasil levará ao G20 proposta para países não elevarem subsídios agrícolas

terça-feira, 10 de novembro de 2015 14:06 BRST
 

BRASÍLIA (Reuters) - O Brasil vai apresentar ao G20 uma proposta para que os países do grupo se comprometam a não aumentar os subsídios domésticos e de exportação a produtos agrícolas em face na queda nos preços internacionais das commodities, mesmo sem esperanças de obter a aprovação dos países da União Europeia e dos Estados Unidos.

"Na situação atual de queda dos preços agrícolas é um compromisso que deveria ser feito, mas é polêmico com os países desenvolvidos”, afirmou subsecretário-geral de Assuntos Econômicos e Financeiros do Itamaraty, Carlos Márcio Cozendey.

“Não tenho grande expectativa de que vamos ter um bom resultado, mas é importante levantar essa questão. Nossa proposta é que o G20 deveria fazer um compromisso para evitar aumentar esses subsídios. Não é um compromisso legalmente vinculante, mas representa um compromisso moral", disse.

A reunião de cúpula do G20 ocorre nos dias 15 e 16 de novembro, na cidade de Antália, na Turquia.

A proposta brasileira foi levada à reunião de negociadores do G20 e não foi recebida com muito entusiasmo por parte da União Europeia, que preferiu alegar que o grupo não seria o fórum adequado para discutir os subsídios e que um debate já estava acontecendo na Organização Mundial do Comércio (OMC).

Os países europeus eliminaram os subsídios à exportação em 2013, mas os transformaram em pagamento direto aos produtores. De acordo com dados da Comissão Europeia, o programa teve em 2014 60 bilhões de euros em 2014, distribuídos para os 28 países membros da UE.

O Brasil recebeu apoio, até agora, apenas de Argentina e Rússia, dois países que também têm boa parte das suas pautas de exportação apoiado nas commodities.

A alegação do Brasil é que, se os países mais ricos elevarem os subsídios para seus produtores e mantiverem os preços locais em um patamar mais alto, prejudicarão justamente a economia dos mais pobres, que já sofrem com a queda dos preços internacionais.

“É um compromisso moral que acreditamos que os países podem assumir, como já fizeram em outras questões, como na dos subsídios aos combustíveis fósseis”, afirmou o embaixador.   Continuação...

 
Agricultor francês trabalha em campo de trigo em Coquelles, perto de Calais. 1/8/2015 REUTERS/Pascal Rossignol