Dólar cai 0,22% e segue abaixo de R$3,80 por BC, apesar de China

terça-feira, 10 de novembro de 2015 17:12 BRST
 

Por Bruno Federowski

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar fechou em leve queda sobre o real nesta terça-feira, em um dia marcado por poucas notícias e pela atuação maior do Banco Central no mercado, que compensou em grande parte o clima de aversão ao risco provocado por dados fracos sobre a economia chinesa.

O dólar recuou 0,22 por cento, a 3,7915 reais na venda, após atingir 3,8250 reais na máxima da sessão.

"O leilão do BC acaba trazendo alguma tranquilidade, porque ele deixa claro que está atento às necessidades do mercado. O investidor pode descansar um pouco", disse o operador da corretora Spinelli José Carlos Amado.

"Parece que o mercado encontrou um patamar (do dólar) para trabalhar, à espera de uma notícia mais determinante, que possa dar alguma direção (ao câmbio)", acrescentou.

O BC ofertou nesta tarde até 500 milhões de dólares com compromisso de recompra em 4 de abril de 2016 e 5 de julho de 2016. A operação não teve como fim rolar contratos já existentes, de acordo com a assessoria de imprensa da autoridade monetária, e foi anunciada após o fechamento dos negócios da sessão passada, quando a moeda norte-americana terminou encostada em 3,80 reais.

O BC também deu continuidade, nesta manhã, à rolagem dos swaps cambiais que vencem em dezembro. Até agora, a autoridade monetária rolou o equivalente a 3,552 bilhões de dólares, ou cerca de 33 por cento do lote total, que corresponde a 10,905 bilhões de dólares.

A atuação do BC vem em um momento de fortes incertezas políticas e econômicas no Brasil, limitando o volume de negócios e deixando o mercado brasileiro mais sensível a operações pontuais. Operadores ressaltaram também que o leilão de linha, terceira oferta desse tipo neste mês, atende à demanda sazonal por dólares de fim de ano, principalmente entre exportadores.

As intervenções compensaram parcialmente o impacto negativo de dados fracos vindos da China. O índice de preços ao consumidor na segunda maior economia do mundo avançou 1,3 por cento em outubro sobre um ano antes, abaixo da alta de 1,5 por cento prevista por analistas em pesquisa da Reuters. Já o índice de preços ao produtor recuou 5,9 por cento no período, ante expectativa de queda de 5,8 por cento.

Sinais de fraqueza na China, combinados com apostas cada vez mais fortes de que os juros norte-americanos começarão a subir no mês que vem, vêm levando investidores a evitar ativos de maior risco, como aqueles denominados em moedas emergentes.

"Dados fracos de inflação na China voltaram a alimentar preocupações sobre o desempenho da economia mundial", disse o operador da corretora Correparti Ricardo Gomes da Silva.