Retomada da operação da Samarco dependerá da sociedade, diz CEO

quarta-feira, 11 de novembro de 2015 16:01 BRST
 

Por Marta Nogueira e Stephen Eisenhammer

MARIANA, Minas Gerais (Reuters) - A retomada das operações da Samarco, responsável pelas duas barragens de rejeitos de mineração que se romperam na semana passada em Mariana (MG), ainda é incerta e dependerá da vontade da sociedade, afirmou nesta quarta-feira o presidente-executivo da companhia, Ricardo Vescovi.

"Para a operação da Samarco continuar, é preciso que isso seja legitimado pela sociedade, se a sociedade entender que a operação continue novamente, se a sociedade entender que nós somos importantes para a cidade de Mariana...", afirmou ele a jornalistas.

No entanto, ele ressaltou que "agora não é hora" para se falar em retomada das atividades da mineradora, que contribui fortemente com a economia local e é uma das maiores exportadoras do Brasil. O momento, ressaltou Vescovi, é de cuidar dos danos causados pelo desastre, cujos valores ainda estão sendo estimados.

O rompimento das barragens causou a morte de ao menos oito pessoas, segundo informação da prefeitura de Mariana nesta quarta-feira, a destruição de localidades próximas e um desastre ambiental que atingiu o Rio Doce no Estado vizinho do Espírito Santo. Há ainda mais de 20 desaparecidos.

Os funcionários da Samarco estão em licença remunerada de 9 de novembro até 29 de novembro. Depois, entrarão em férias coletivas de 30 novembro até 4 de janeiro, segundo o executivo. Ninguém foi demitido até o momento.

Durante os 50 dias que os funcionários permanecerão sem trabalhar, o executivo explicou que serão tomadas novas decisões sobre o que acontecerá posteriormente.

O representante da Samarco não entrou em detalhes sobre perdas que a empresa terá durante o período que ficará sem operar em Mariana.

A afirmação de Vescovi foi feita durante evento que reuniu os presidentes-executivos das gigantes mineradoras Vale e BHP Billiton, empresas acionistas da Samarco em partes iguais.   Continuação...

 
Andrew Mackenzie (esquerda), CEO da BHP Billiton, Ricardo Vescovi (centro), presidente da Samarco, e Murilo Ferreira, CEO da Vale, em entrevista coletiva em Mariana. 11/11/2015 REUTERS/Ricardo Moraes