Maiores provisões para calotes pressionam Banco do Brasil no 3º tri

quinta-feira, 12 de novembro de 2015 10:58 BRST
 

Por Aluísio Alves

SÃO PAULO (Reuters) - O Banco do Brasil teve lucro de terceiro trimestre abaixo do previsto por analistas, pressionado pela piora na qualidade da carteira de empréstimos, que levou a um salto nas provisões para inadimplência.

O maior banco do país por ativos informou lucro ajustado do período de 2,881 bilhões de reais, quase estável ante um ano antes e queda de 5,2 por cento na base sequencial. A previsão média de analistas ouvidos pela Reuters era de lucro recorrente de 3,017 bilhões de reais.

Incluindo efeitos extraordinários, o lucro do BB foi de 3,062 bilhões de reais, ante 2,78 bilhões no mesmo trimestre de 2014 e praticamente estável na medição sequencial.

A despesa com provisão para calotes foi um destaque negativo do período, com avanço anual de 40 por cento, para 6,4 bilhões de reais. Isso depois do índice de inadimplência acima de 90 dias subir a 2,2 por cento, alta de 0,16 ponto sobre o trimestre anterior e de 0,11 ponto ante igual etapa de 2014.

A piora foi mais acentuada na carteira para empresas, na qual o índice subiu de 2,68 para 3,1 por cento em 12 meses. Os efeitos respingaram sobre as projeções do banco para o segmento, que passaram de expansão de 7 a 11 por cento para 5 a 9 por cento este ano.

Isso mais que compensou efeitos positivos como o repasse de juros maiores a clientes, numa carteira e crédito que cresceu 9,8 por cento em 12 meses, para 804,6 bilhões de reais no conceito ampliado. O destaque positivo foi o financiamento imobiliário (+34 por cento). Na outra ponta, o estoque de empréstimos para empresas médias e pequenas encolheu 6,2 por cento ante setembro de 2014.

O spread líquido nas operações de crédito, a receita que o banco tem com empréstimos descontado o custo de captação e as despesas com provisões para calotes, caiu a 2,4 por cento, queda de 0,1 ponto percentual sobre o trimestre anterior e de 0,2 ponto contra um ano antes.

O BB teve ainda um aumento de 10,1 por cento nas receitas com tarifas, a 6,9 bilhões de reais. O banco também conseguiu manter sob controle as despesas administrativas, que avançaram 6,3 por cento em 12 meses, a 8,55 bilhões de reais.

Mas isso foi pouco para enfrentar os efeitos de uma economia em recessão, que pesou sobre famílias e empresas que tomaram empréstimos do BB nos últimos anos, quando os bancos estatais foram levados pelo governo federal a ir na contramão dos concorrentes privados e ampliar a oferta de financiamentos.

Com isso, a rentabilidade anualizada do BB sobre o patrimônio caiu 2,8 pontos percentuais no conceito ajustado sobre um ano antes, para 13,3 por cento. Sobre o trimestre anterior, o recuo foi de 0,9 ponto. A instituição foi levada a reduzir sua meta de 2015 para esta linha, da faixa de 14 a 17 para a de 13 a 16 por cento.

 
Agência do Banco do Brasil no centro do Rio de Janeiro.   20/08/2014   REUTERS/Pilar Olivares