CPFL planeja adesão a plano do governo para compensar hidrelétricas por seca

quinta-feira, 12 de novembro de 2015 11:03 BRST
 

SÃO PAULO (Reuters) - A CPFL Energia deve aderir à proposta apresentada pelo governo federal para compensar parcialmente hidrelétricas por perdas de faturamento neste ano, devido à seca, e acredita que haverá uma boa aceitação das empresas ao acordo, afirmou à Reuters nesta quinta-feira o presidente da companhia, Wilson Ferreira Jr.

O governo federal exige, como contrapartida, que as empresas retirem até 14 de dezembro uma série de ações judiciais em que elas conseguiram proteção contra os prejuízos, o que paralisou a liquidação financeira da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) que aconteceria na última terça-feira.

"Consideramos que o nível de adesão será importante. Essa é a primeira perspectiva para que o mercado retome e volte a ser um mercado dinâmico como sempre foi", disse Ferreira.

O apoio às hidrelétricas, que segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) poderia elevar o lucro das elétricas em 2015 em até 1,5 bilhão de reais, foi autorizado pela Medida Provisória 688, que já foi aprovada pela Câmara e agora vai passar pelo plenário do Senado.

A Aneel detalhou o apoio, ao propor uma série de opções para que as empresas escolham o nível de risco de seca ao qual desejam estar expostas e o quanto pretendem pagar por esse seguro, uma espécie de "prêmio de risco" que será utilizado para aliviar tarifas dos consumidores no futuro.

A CPFL, que controla distribuidoras de energia e possui também ativos de geração, reportou custos de 140 milhões de reais com compra de energia para compensar a menor produção de suas hidrelétricas apenas no segundo trimestre deste ano.

"A MP indica uma solução importante para todos geradores que têm problemas de GSF (nome técnico para o déficit hídrico)... acho que cada um dos agentes vai poder avaliar aquela alternativa que o atende melhor. Com certeza qualquer uma delas é melhor que não ter nada ou ter uma ação na Justiça", disse o executivo da CPFL.

De acordo com Ferreira, as companhias já tiveram tempo de fazer suas contas para o caso das usinas que venderam energia no mercado regulado, e provavelmente apenas esperam a aprovação da MP no Senado para aderir.

"Acho que a maior parte das empresas, como a gente, já fez conta e já sabe o que vai fazer... Ainda não encaminhamos essa decisão ao Conselho (de Administração da CPFL), vamos fazer isso até dia 25 deste mês, mas a tendência, sem dúvida nenhuma, é de adesão", afirmou.   Continuação...