Suzano vê momento positivo para celulose e continuidade de fraqueza doméstica em papéis

quinta-feira, 12 de novembro de 2015 12:45 BRST
 

SÃO PAULO (Reuters) - A Suzano Papel e Celulose vê os estoques globais de celulose em níveis mais baixos que historicamente e aparentemente declinantes, enquanto paradas programadas e não programadas de produtores globais devem reduzir a oferta no quarto trimestre, o que é positivo para os preços, disseram executivos nesta quinta-feira.

"A demanda tem ritmo crescente hoje em diversas regiões, principalmente a Ásia", disse o presidente da empresa, Walter Schalka, em teleconferência para comentar os resultados do terceiro trimestre.

Na América do Norte e na Europa, a demanda foi robusta em outubro, tendo se mantido positiva nos primeiros dias de novembro, segundo o diretor da unidade de negócios de papel e celulose, Carlos Aníbal Jr.

O executivo afirmou que, na China, a produtora de celulose de fibra curta enfrentou pressão grande de compradores por reduções de preço em outubro, devido à ampla disponibilidade da celulose de fibra longa, mas não fez concessões. As negociações para novembro ainda estão em curso, e ele acredita que, havendo disciplina da indústria de celulose, pode haver um desfecho do impasse favorável para o setor nos próximos dias.

Em oposição ao segmento de celulose, o mercado doméstico de papel ainda está mais frágil que a expectativa da empresa, o que está aumentando as exportações, com margens positivas, disse Schalka.

Apesar da fraqueza, a Suzano pretende realizar aumentos de preços da ordem de 24 por cento para os papéis do tipo cut size e offset a partir de fevereiro, com o intuito de deixá-los compatíveis com os preços dos mercados internacionais. O papel cartão também terá aumento que ainda não foi definido, e os revestidos não terão aumento.

Em um momento de forte geração de caixa, a Suzano anunciou investimentos totalizando 1,6 bilhão de reais nesta quinta-feira, que compreendem o aumento da produção de celulose e papel no Maranhão e Bahia.

"O conjunto de iniciativas vai levar a uma competitividade maior e redução de custo caixa de produção", observou Schalka. O executivo anunciou a meta de atingir em 2018, com o dólar a 3,80 reais, custo caixa de produção de 150 dólares por tonelada de celulose e, ao final de um ciclo de plantio (6 a 7 anos) custo caixa de 125 dólares por tonelada.

A produção da fábrica da Bahia já voltou ao normal, disseram executivos, após impacto de 30 mil toneladas com a parada antecipada para manutenção da linha 1, em meio à seca que reduziu a vazão do rio que abastece a unidade.   Continuação...