Dólar fica quase estável, a R$3,76, com certo alívio sobre Fed

quinta-feira, 12 de novembro de 2015 17:13 BRST
 

Por Bruno Federowski

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar fechou perto da estabilidade sobre o real nesta quinta-feira, diante de dúvidas sobre a possibilidade de o banco central dos Estados Unidos elevar os juros no mês que vem e após a Comissão Mista do Orçamento (CMO) do Congresso impedir abatimento na meta de superávit fiscal em 2016, aumentando a rigidez fiscal em um momento de intensas desconfianças sobre as conta públicas.

O dólar recuou levemente 0,06 por cento, a 3,7672 reais na venda. A moeda norte-americana chegou a subir mais de 1 por cento na máxima da sessão, a 3,8270 reais, reagindo às persistentes preocupações com a política e a economia brasileira.

"Elementos pontuais aqui e lá fora trouxeram alguma tranquilidade na parte da tarde, tanto em relação ao Fed quanto em relação ao cenário fiscal (no Brasil)", disse o gerente de câmbio da corretora Treviso, Reginaldo Galhardo. Ele ressaltou, no entanto, que as perspectivas de médio prazo são desfavoráveis nesses dois campos.

Várias autoridades do Federal Reserve vieram a público nesta quinta-feira adotando um tom mais cauteloso do que vinham fazendo nas últimas semanas. O presidente do Fed de Nova York, William Dudley, por exemplo, afirmou que o banco central precisa "pensar com cuidado" sobre quando dar início ao aperto monetário.

Em discurso no início da tarde, a chair do banco central norte-americano, Janet Yellen, não comentou sobre o assunto.

Boa parte dos investidores vinha apostando que o Fed elevaria os juros em dezembro, o que pode atrair para a maior economia do mundo recursos atualmente aplicados em países como o Brasil.

Operadores também afirmaram que a notícia de que a CMO derrubou a possibilidade de abatimento de até 20 bilhões de reais da meta de superávit primário do ano que vem foi encarada como positiva e ajudou a trazer alívio ao mercado.

Incertezas políticas e econômicas no Brasil, porém, mantinham a moeda norte-americana sob pressão, com muitos investidores evitando ativos denominados em reais. "O cenário ainda está muito difícil e há motivos para cautela", disse o superintendente de câmbio da corretora Intercam, Jaime Ferreira.   Continuação...

 
Casa de câmbio no Rio de Janeiro. 24/09/2015 REUTERS/Sergio Moraes