Brasil quer reduzir riscos a investimento em infraestrutura, diz secretário do Planejamento

sexta-feira, 13 de novembro de 2015 13:50 BRST
 

Por Alonso Soto

BRASÍLIA (Reuters) - O Brasil está considerando criar instrumentos financeiros que permitam que fundos internacionais de investimento e pensão reduzam os riscos quando investirem em debêntures de infraestrutura, disse o secretário-executivo do Ministério do Planejamento, Dyogo Oliveira, à Reuters.

Em uma entrevista na quinta-feira, Oliveira disse que o governo está trabalhando com o Banco Mundial e o Banco Interamericano de Desenvolvimento para criar instrumentos como fundos de garantia apoiado por diferentes players do mercado.

"Eu percebi interesse de investidores financeiros que não participaram muito no financiamento de infraestrutura no Brasil", disse Oliveira, que na última semana liderou uma comitiva do governo a Nova York, Londres, Madri e Frankfurt para atrair potenciais investidores. "Eles querem alguns tipos de garantia. Eles não querem correr riscos políticos extraordinários."

Oliveira disse que os riscos podem incluir eventos como protestos que prejudiquem o retorno destes projetos e, eventualmente, o pagamento dos títulos de infraestrutura.

O plano de pensão dos professores de Ontário, no Canadá; a BlackRock, maior gestor de fundos do mundo; e o credor de infraestrutura Macquarie Group mostraram interesse em alguns projetos de infraestrutura no Brasil, disse Oliveira.

Vivendo a pior recessão do país em 25 anos, a presidente Dilma Rousseff continua a oferecer concessões de ferrovias, rodovias e aeroportos para trazer investimentos ao país.

Apesar dos debêntures de infraestrutura terem sido criados em 2012 para reduzir a dependência dos financiamentos de longo prazo do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social(BNDES), as ofertas ficaram abaixo das expectativas.

Os maiores fundos de pensão do país estão reduzindo seus investimentos em infraestrutura, optando, ao invés, por títulos do governo que pagam mais juros a um risco menor.

Oliveira disse que os investidores estrangeiros com um alcance de visão de longo prazo estão ávidos por colocar seu dinheiro no Brasil, apesar das incertezas atuais.

"Não há nenhuma dúvida de que a economia brasileira se fortalecerá", disse. "Eles (investidores) externaram muita confiança na economia brasileira em médio e longo prazo e que, portanto, continuarão investindo."