Petrobras avalia empréstimo atrelado à exportação de petróleo

sexta-feira, 13 de novembro de 2015 20:20 BRST
 

SÃO PAULO/RIO DE JANEIRO (Reuters) - A Petrobras avalia empréstimos atrelados a exportações de petróleo como uma das alternativas na busca de recursos, disse nesta sexta-feira o diretor financeiro da estatal, Ivan Monteiro, ressaltando que a companhia descarta usar reservas de petróleo como garantia de financiamentos.

Tais acordos poderiam ser viabilizados em um momento em que a Petrobras enfrenta um recuo nas vendas internas de combustíveis, em função da crise econômica, e tem elevado as exportações de petróleo na esteira de um crescimento da produção, especialmente na região do pré-sal.

Monteiro reafirmou que a Petrobras tem 25 bilhões de dólares em operações diversas de crédito à disposição, ao ser questionado por analista nesta sexta-feira sobre o número citado em entrevista a jornalistas na quinta-feira. Há preocupação se novos empréstimos não iriam de encontro à política da companhia de reduzir seu endividamento.

"Os 25 bilhões são alternativas disponíveis, a companhia poderá tomar 0 a 25, se ela achar adequado", afirmou Monteiro em teleconferência para comentar resultados do último trimestre.

A empresa, que tem seu rating de crédito considerado como grau especulativo por duas das três maiores agências de classificação de risco, o que encarece o custo de captações externas, tem tentado buscar alternativas de financiamentos nos últimos meses.

O diretor disse ainda que a companhia avalia pré-pagamento de algumas dívidas como parte de ajuste no perfil de seu endividamento.

O endividamento líquido atingiu 402,3 bilhões de reais, alta de 43 por cento em relação ao estoque em 31 de dezembro de 2014, principalmente em decorrência da depreciação cambial de 49,6 por cento no período. Cerca de 84 por cento da dívida da Petrobras é em moeda estrangeira.

A estatal registrou prejuízo líquido de 3,8 bilhões de reais no período de julho a setembro, ante prejuízo de 5,3 bilhões de reais no mesmo período de 2014, quando reconheceu perdas de 6,2 bilhões de reais por pagamentos indevidos descobertos pela Operação Lava Jato. Nos dois primeiros trimestres deste ano, a estatal teve lucro de 5,3 bilhões e 531 milhões de reais, respectivamente.

As ações preferenciais da companhia operavam em queda de mais 3 por cento por volta das 15h10, enquanto as ordinárias caíam 2,3 no mesmo horário, enquanto o Ibovespa caía cerca de 0,5 por cento e o petróleo Brent recuava 0,4 por cento.   Continuação...

 
Sede da Petrobras no Rio de Janeiro. 29/1/2015 REUTERS/Sergio Moraes