13 de Novembro de 2015 / às 17:13 / 2 anos atrás

Petrobras avalia empréstimo atrelado à exportação de petróleo

Sede da Petrobras no Rio de Janeiro. 29/1/2015Sergio Moraes

SÃO PAULO/RIO DE JANEIRO (Reuters) - A Petrobras avalia empréstimos atrelados a exportações de petróleo como uma das alternativas na busca de recursos, disse nesta sexta-feira o diretor financeiro da estatal, Ivan Monteiro, ressaltando que a companhia descarta usar reservas de petróleo como garantia de financiamentos.

Tais acordos poderiam ser viabilizados em um momento em que a Petrobras enfrenta um recuo nas vendas internas de combustíveis, em função da crise econômica, e tem elevado as exportações de petróleo na esteira de um crescimento da produção, especialmente na região do pré-sal.

Monteiro reafirmou que a Petrobras tem 25 bilhões de dólares em operações diversas de crédito à disposição, ao ser questionado por analista nesta sexta-feira sobre o número citado em entrevista a jornalistas na quinta-feira. Há preocupação se novos empréstimos não iriam de encontro à política da companhia de reduzir seu endividamento.

"Os 25 bilhões são alternativas disponíveis, a companhia poderá tomar 0 a 25, se ela achar adequado", afirmou Monteiro em teleconferência para comentar resultados do último trimestre.

A empresa, que tem seu rating de crédito considerado como grau especulativo por duas das três maiores agências de classificação de risco, o que encarece o custo de captações externas, tem tentado buscar alternativas de financiamentos nos últimos meses.

O diretor disse ainda que a companhia avalia pré-pagamento de algumas dívidas como parte de ajuste no perfil de seu endividamento.

O endividamento líquido atingiu 402,3 bilhões de reais, alta de 43 por cento em relação ao estoque em 31 de dezembro de 2014, principalmente em decorrência da depreciação cambial de 49,6 por cento no período. Cerca de 84 por cento da dívida da Petrobras é em moeda estrangeira.

A estatal registrou prejuízo líquido de 3,8 bilhões de reais no período de julho a setembro, ante prejuízo de 5,3 bilhões de reais no mesmo período de 2014, quando reconheceu perdas de 6,2 bilhões de reais por pagamentos indevidos descobertos pela Operação Lava Jato. Nos dois primeiros trimestres deste ano, a estatal teve lucro de 5,3 bilhões e 531 milhões de reais, respectivamente.

As ações preferenciais da companhia operavam em queda de mais 3 por cento por volta das 15h10, enquanto as ordinárias caíam 2,3 no mesmo horário, enquanto o Ibovespa caía cerca de 0,5 por cento e o petróleo Brent recuava 0,4 por cento.

PRODUÇÃO

A diretora de Exploração & Produção, Solange Guedes, lembrou que a empresa tem obtido avanços em renegociações de contratos com fornecedores de sua unidade, no âmbito do programa de redução de despesas e investimentos, mas ela não apontou reflexos significativos desse movimento para a produção nos próximos anos.

A executiva não ofereceu detalhes sobre reduções de custos em sua área, mas disse que a frota de perfuração de poços, por exemplo, tem sido reduzida notadamente pela não renovação de contratos, um movimento que não é de hoje.

Destacou também que, diante da queda dos preços do petróleo, que reduz custos com alguns serviços do setor, o mercado de fornecedores está "ofertante e a preços interessantes", o que favorece eventual retomada de projetos.

Solange disse que as ações para entregar a produção prevista para 2017 já estão em andamento, mas destacou que ainda é cedo para falar em eventuais ajustes na meta para aquele ano. Se eles ocorrerem, disse ela, não serão significativos.

Ela admitiu também alguns ajustes para meta de produção de 2020, mas não detalhou, destacando que ainda é muito cedo para falar sobre as perspectivas para a mega reserva de Libra, com projeto piloto previsto para a partir de 2020.

Segundo Solange, a campanha de Libra ainda está muito "incipiente" para se afirmar se houve resultados abaixo ou acima do esperado.

Para 2020, a produção total de petróleo da Petrobras no Brasil está estimada em 2,8 milhões de barris/dia (incluindo LGN), ante cerca de 2 milhões de barris/dia atualmente.

As metas de produção média diária no Brasil previstas no Plano de Negócios e Gestão 2015-2019 são de 2,125 milhões de barris por dia em 2015 e 2,185 milhões de barris por dia em 2016.

Por Roberto Samora, com reportagem adicional de Jeb Blount no Rio de Janeiro

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