CSN mostra otimismo, mas preocupação do mercado com endividamento pesa sobre ações

sexta-feira, 13 de novembro de 2015 18:29 BRST
 

SÃO PAULO (Reuters) - A CSN tentou transmitir uma mensagem otimista nesta sexta-feira, estimando aumento de lucro e margens nos últimos três meses do ano, mas as ações de empresa encerraram com a maior queda em mais de um mês.

O presidente do grupo que tem negócios em mineração, siderurgia, logística e cimento, Benjamin Steinbruch, chegou a afirmar que a empresa pode voltar a pagar dividendos aos acionistas no próximo ano dependendo da evolução de fatores como venda de ativos, mas os investidores não se convenceram e as ações da CSN fecharam com tombo de 9,59 por cento.

Em teleconferência a analistas e investidores, Steinbruch afirmou que a empresa vai adotar "orçamento base zero", que prevê despesas iguais ou inferiores ao ano anterior, a partir do início do próximo ano. O executivo disse ainda que a empresa vai rediscutir contratos com todos os fornecedores.

"Tenho certeza que teremos Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização na sigla em inglês) maior que 1 bilhão de reais, já fizemos todos os ajustes", disse Benjamin sobre o desempenho esperado para o quarto trimestre deste ano. No terceiro trimestre, a empresa apurou Ebitda de 853 milhões de reais, uma queda de 13 por cento sobre o mesmo período do ano passado.

MINERAÇÃO

Por sua vez, o diretor de mineração da CSN, Daniel dos Santos, afirmou durante a teleconferência que a companhia espera atingir exportações de 30 milhões de toneladas em 2016 ante expectativa de 28 milhões de toneladas este ano, em meio a investimentos da companhia em ampliação de produção apesar da queda nos preços da commodity neste ano.

O diretor de áreas corporativas da CSN, Paulo Caffarelli, comentou que a companhia comprou equipamentos para a mina Casa de Pedra que permitirão uma queda no custo de produção de 15 por cento e um aumento de 10 por cento na produção. Por conta disso, o investimento do grupo em 2016 deve ficar abaixo do 1,5 bilhão de reais estimado anteriormente.

O investimento ocorreu antes do desastre ambiental ocorrido em barragens de rejeitos da mineradora Samarco, em Minas Gerais. Questionado sobre os impactos da parada de produção da rival, Santos afirmou que vê uma "janela de oportunidade" no curto prazo para suprir parte da demanda que deixou de ser atendida pelo rompimento das barragens da Samarco.   Continuação...