November 13, 2015 / 10:15 PM / 2 years ago

Reconstrução de relações comerciais com Brasil seria prioridade de argentino Macri

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Candidato à Presidência da Argentina Mauricio Macri participa de cerimônia em Buenos Aires. 28/10/2015Marcos Brindicci

BUENOS AIRES (Reuters) - A prioridade número um em política externa do candidato à Presidência da Argentina Mauricio Macri será reconstruir a confiança do Brasil numa problemática relação comercial, disse o assessor para relações externas do candidato oposicionista nesta sexta-feira.

Brasil e Argentina são as principais economias da América do Sul, mas os fluxos comerciais entre os dois países desacelerou bastante, ao mesmo tempo que ambos enfrentam dificuldades após o colapso do boom global das commodities.

O Brasil tem sido frustrado por um muro de medidas protecionistas tomadas pela atual presidente argentina, a líder de esquerda Cristina Kirchner, com o objetivo de proteger a indústria local da competição externa e defender as reservas em moeda estrangeira.

Macri, o prefeito de centro-direita de Buenos Aires, que segundo pesquisas é o favorito para ganhar o segundo turno de 22 de novembro, faz uma campanha para reduzir esses controles comerciais e de capitais e abrir a economia, a terceira maior da América Latina, atrás de Brasil e México.

“A nossa prioridade é a relação com o Brasil, assim como a nossa relação com o resto da América do Sul”, disse Fulvio Pompeo em entrevista. “Temos que construir confiança com o Brasil. Por dois anos a nossa relação comercial bilateral está parada.”

Pompeo, subsecretário para relações internacionais no governo de Mauricio Macri em Buenos Aires, afirmou que a primeira viagem ao exterior de Macri, se ele ganhar a eleição, será para o Brasil.

O Brasil é o principal parceiro comercial da Argentina, mas as exportações argentinas para o vizinho haviam caído 29 por cento, na relação ano a ano, em setembro, atingidas pela recessão brasileira e pelo peso sobrevalorizado na Argentina.

Pompeo defendeu a necessidade de “regras claras do nosso lado, sem mentiras” para facilitar as quase sempre tensionadas relações, que são uma grande dor de cabeça para o Mercosul, a união aduaneira e grupo comercial de Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai e Venezuela, do qual a Bolívia também foi aceita como integrante.

Cristina, cuja liderança tem sido marcada por frequentes críticas contra os poderes imperialistas, voltou-se cada vez mais para a China e a Rússia para apoio financeiro e acordos comerciais.

Pompeo sinalizou que Macri buscaria relações mais próximas com os Estados Unidos e a Europa, com quem as relações esfriaram no atual governo.

Mesmo assim, ele disse que melhorar as relações na América do Sul é fundamental. Para isso, Pompeo afirmou que Macri incentivaria o acordo nas negociações comerciais entre o Mercosul e a União Europeia, que se arrasta há anos.

Na quinta-feira, o Uruguai afirmou que a Argentina era o “principal obstáculo” para se chegar a um acordo. Se for firmado, esse acordo criaria a maior zona de livre-comércio bilateral no mundo.

"Claramente, chegar a um acordo seria uma prioridade para nós”, declarou Pompeo.

Numa indicação de que poderia se distanciar de líderes esquerdistas sul-americanos, Macri afirmou nesta semana que se opõe a políticos que buscam seguidas reeleições, uma crítica velada ao presidente da Bolívia, Evo Morales, que busca prolongar os limites do seu mandato.

O candidato também criticou a prisão do líder de oposição venezuelano Leopoldo López pelo governo do país.

"Isso não é o que faz um governo democrático”, afirmou Macri.

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