ENTREVISTA-Privatizações em energia são pragmáticas, diz EPE

segunda-feira, 16 de novembro de 2015 13:39 BRST
 

Por Luciano Costa

SÃO PAULO (Reuters) - A venda de ativos nas gigantes estatais do setor de energia do Brasil --Petrobras e Eletrobras-- é fruto de "pragmatismo do momento", em que o governo tem se empenhado também para atrair investidores para o país, disse à Reuters o presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), órgão de planejamento do Ministério de Minas e Energia, Mauricio Tolmasquim.

"No momento, você precisa desses recursos... é uma questão muito mais pragmática do que qualquer questão ideológica. A Petrobras tem que reduzir seu endividamento e a Eletrobras precisa do capital privado também investindo", disse Tolmasquim.

A Petrobras espera obter 15,1 bilhões de dólares com desinvestimentos até o final de 2016, enquanto a Eletrobras pretende vender suas subsidiárias de distribuição de energia, a começar pela Celg, de Goiás.

Questionado sobre fala do presidente da CPFL Energia, Wilson Ferreira Jr, que disse na sexta-feira apostar em um novo ciclo de venda de estatais no país, devido aos efeitos da atual crise econômica sobre o caixa de Estados e municípios, Tolmasquim disse que privatização não é "uma palavra proibida" para o governo.

"Estamos querendo atrair o capital privado para os setores. O nome que vai se dar a isso, se é privatização, se é concessão... na verdade, é atrair o capital privado para investir", disse Tolmasquim.

O presidente da EPE afirmou que realizou apresentações em Londres, Nova York e Frankfurt para apresentar a empresários a agenda de investimentos do país em energia, mas com foco em novos projetos, e não nas vendas de ativos.

"O motivo da viagem foi esse, trazer investidores externos... mas sobretudo, a atração é para (projetos de) novas usinas e novas linhas de transmissão", apontou.

Tolmasquim disse que houve grande interesse nas palestras e também em reuniões realizadas pelo governo com empresas e fundos, e revelou que há tanto investidores com apetite por projetos no Brasil quanto empresas interessadas em oferecer financiamentos para o setor.   Continuação...