Seguro da Samarco é insuficiente para cobrir custos civis após desastre em MG

segunda-feira, 16 de novembro de 2015 17:27 BRST
 

Por Marta Nogueira e Stephen Eisenhammer

RIO DE JANEIRO (Reuters) - O seguro da Samarco referente à responsabilidade civil sobre o rompimento de barragens em Mariana, Minas Gerais, não será suficiente para pagar gastos com recuperação de áreas atingidas e multas, afirmou o diretor-executivo de Finanças e Relações com Investidores da Vale, Luciano Siani.

O executivo, que participou de teleconferência com analistas nesta segunda-feira, explicou no entanto que a apólice contempla valor "expressivo" relacionado ao risco operacional, para recompor danos materiais às estruturas da empresa e com a interrupção de negócios da mineradora.

"Mas no que diz respeito a responsabilidade civil, o seguro da Samarco é bem inferior já aos primeiros valores que estão se discutindo de indenizações. Por exemplo, ele é inferior a própria multa que o Ibama já aplicou à companhia", disse Siani, evitando informar valores sobre o tema.

Na semana passada, a presidente Dilma Rousseff responsabilizou a Samarco pelo desastre provocado pelo rompimento das duas barragens Minas Gerais e anunciou uma multa "preliminar" de 250 milhões de reais à companhia a ser aplicada pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

O analista do Credit Suisse Ivano Westin afirmou em nota a clientes nesta segunda-feira que observou em notas explicativas da Samarco que a apólice do seguro cobre até 1,17 bilhão de dólares com questões operacionais.

Para Westin, os gestores da Vale abordaram bem as perguntas dos analistas, "mas o foco claro (e correto) está no lado humanitário em vez de operacional/financeiro".

"Como estamos em um estágio inicial de investigação, algumas questões permanecem sem respostas; acreditamos que o impacto desta estratégia tem impacto parcial em ações da Vale."

A meta de produção da Vale em 2015 foi mantida em 340 milhões de toneladas, frisou o analista. Entretanto, a produção prevista para 2016 deverá sofrer um impacto maior.   Continuação...

 
Equipes de resgate fazem buscas em Bento Rodrigues, em  Mariana (MG) 8/11/2015 REUTERS/Ricardo Moraes