Aumento de gastos com segurança levará França a descumprir meta fiscal da UE, diz premiê

terça-feira, 17 de novembro de 2015 08:54 BRST
 

PARIS (Reuters) - A França será obrigada a ultrapassar a meta fiscal da União Europeia porque está elevando os gastos com segurança, na sequência dos ataques de 13 de novembro em Paris, disse o primeiro-ministro francês, Manuel Valls, nesta terça-feira.

A meta fiscal será "necessariamente excedida", já que o governo está alterando o planejamento orçamentário para contratar milhares de policiais a mais e aumentar os recursos das forças de segurança, declarou Valls à rádio France Inter. O dinheiro não pode ser tirado de outros setores.

"Temos que encarar isso, e a Europa precisa entender", disse Valls. "É também tempo de a UE e a Comissão (Europeia) compreenderem que esta luta diz respeito à França, mas também diz respeito à Europa."

O orçamento da França para 2016 prevê um déficit público de 3,3 por cento do PIB, o que está dentro do estipulado pela UE. O bloco prevê déficit de menos de 3,0 por cento em 2017.

Uma fonte do Ministério das Finanças disse na segunda-feira que os gastos extras com a segurança anunciados pelo presidente François Hollande devem resultar em centenas de milhões de euros, mas serão inferiores a 1 bilhão de euros.

"Vai ser um custo extra sobre o que se estava esperando", disse a fonte, acrescentando que seria compatível com os compromissos orçamentais da França com seus parceiros da UE.

Os ataques em Paris também podem ter um impacto sobre o crescimento econômico na França, que estava progressivamente se recuperando, pois pressionarão o turismo e as vendas do varejo pelo menos temporariamente em razão da insegurança.

Hollande disse na segunda-feira que assumia a responsabilidade por uma eventual superação do déficit orçamentário decorrente dos gastos com a segurança e as forças armadas, dizendo aos parlamentares que a segurança é mais importante do que as regras orçamentais da UE.

(Reportagem de Laurence Frost)

 
Premiê francês, Manuel Valls, em Paris. 04/11/2015 REUTERS/Charles Platiau