ENTREVISTA-Empresas estrangeiras são foco "cada vez maior" de Lava Jato, diz procurador Dallagnol

quarta-feira, 18 de novembro de 2015 22:18 BRST
 

Por Caroline Stauffer

CURITIBA (Reuters) - Os procuradores do Ministério Público Federal estão concentrando cada vez mais a atenção nas propinas pagas por empresas estrangeiras como parte do esquema de corrupção na Petrobras, disse o procurador Deltan Dallagnol, que está na linha de frente das investigações, acrescentando que apenas uma dessas companhias assinou acordo de leniência até o momento.

Dallagnol, de 35 anos, afirmou que as empresas que comprovadamente subornaram funcionários da Petrobras podem ter seus executivos presos e pagar multas pesadas, ou ainda serem excluídas de futuros contratos no Brasil.

"As empresas estrangeiras estão se tornando um foco cada vez maior em nossa investigação", afirmou Dallagnol, em entrevista na tarde de terça-feira, em Curitiba.

Os procuradores contabilizaram 285 empresas estrangeiras que fizeram negócios com pessoas sob investigação na Java Jato, embora eles digam que isso não significa que todas as empresas estão sendo investigadas.

O foco em companhias do exterior ocorre após as ações envolvendo as principais empreiteiras do país e na esteira de decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que limitou a competência da Justiça Federal do Paraná, que concentra as ações da Lava Jato, no que se refere a outras estatais e até mesmo ministérios, concentrando a atenção dos procuradores nos contratos que custaram bilhões de dólares à Petrobras.

Esta semana, integrantes da força-tarefa da Lava Jato afirmaram ter provas de que a Astra Oil, unidade da belga Astra Transcor Energy, pagou 15 milhões de dólares em propinas para obter um contrato de venda de parte da refinaria de Pasadena, no Texas, para a Petrobras em 2006.

A Astra Oil não respondeu a um pedido de comentário.

Dallagnol não quis comentar a declaração do colega e também procurador Carlos Fernando dos Santos Lima sobre a possibilidade de anulação da compra de Pasadena. "Nada agora pode ser descartado, essa é a questão", disse.   Continuação...

 
Procurador Deltan Dallagnol, em Brasília. 20/03/2015 REUTERS/Ueslei Marcelino