Fracasso em leilões de linhas de energia acende alerta para licitações do setor

quarta-feira, 18 de novembro de 2015 16:32 BRST
 

Por Luciano Costa

SÃO PAULO (Reuters) - O fracasso do leilão de linhas de transmissão de energia desta quarta-feira, com ofertas para apenas 4 dos 12 empreendimentos oferecidos, acende um alerta quanto ao interesse de investidores no setor justamente no momento em que a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) prepara a licitação de um mega pacote de projetos em 2016.

O diretor José Jurhosa, da agência reguladora, disse que o próximo leilão de linhas, no primeiro trimestre de 2016, deverá oferecer ao mercado empreendimentos que demandarão cerca de 16 bilhões de reais em investimentos.

Especialistas têm alertado que a atual situação econômica do país, com crédito caro e escasso, e questões do próprio setor de transmissão, como empresas descapitalizadas ou com excesso de obras, mantêm a dúvida sobre a presença de investidores nas próximas licitações.

"Estamos preocupados, lógico, não tenha dúvida", afirmou Jurhosa a jornalistas após o leilão, ao ser questionado sobre as expectativas para o próximo certame, que deve ser o maior já realizado no setor de transmissão.

Os lotes viabilizados no certame desta quarta-feira resultarão em 3,5 bilhões de reais em investimentos, cerca de 46 por cento do total que a Aneel esperava obter com o leilão. Em agosto, a última licitação do setor já havia atraído pouco interesse, com ofertas para 4 de 11 lotes ofertados.

"Houve um esgotamento da capacidade financeira das empresas mais tradicionais do setor... e atrair novos agentes não é tão trivial em um momento de economia fraca", afirmou à Reuters o pesquisador do Grupo de Estudos do Setor Elétrico da UFRJ, Roberto Brandão.

Apesar do baixo interesse, a Aneel avaliou o resultado do leilão desta quarta como positivo, dado o cenário econômico negativo do país.

"Se vocês observarem o cenário econômico não só do Brasil, mas do mundo, acho que estamos tendo bastante sucesso na contratação... a questão não é preço, mas a conjuntura do país", disse Jurhosa.   Continuação...