Venda de material de construção no Brasil deve cair entre 4% e 5% em 2016, diz Abramat

quarta-feira, 18 de novembro de 2015 16:59 BRST
 

Por Juliana Schincariol

RIO DE JANEIRO (Reuters) - As vendas de materiais de construção devem reduzir o ritmo de queda no próximo ano e encerrar 2016 com recuo entre 4 e 5 por cento após milhares de demissões e um tombo de dois dígitos previsto para este ano, estima o presidente da Abramat, associação que representa o setor, Walter Cover.

"A gente vem vindo de dois anos muito ruins... Estamos produzindo e vendendo nos níveis de 2007. A gente acha que por a base ser muito fraca em 2015, qualquer pequena modificação para melhor ajuda", disse o executivo à Reuters, acrescentando que os resultados de 2016 ainda serão ruins.

A perspectiva da Abramat é fechar 2015 em linha com o resultado do acumulado do ano até outubro, de queda de 11,1 por cento. O resultado é pior do que a previsão de outubro da Abramat, já revista mais de uma vez, de retração de 9 por cento no ano.

Cover espera que o primeiro semestre do próximo ano tenha resultados semelhantes a 2015. "Se a gente olhar todas as curvas, a confiança do consumidor, a gente está começando a atingir o fundo do poço... Vai ficar uns 5, 6 meses no fundo do poço, sem piorar ou melhorar. Lá para junho ou julho começa a melhorar um pouco", disse o presidente da Abramat.

"A expectativa é que a inflação no ano que vem seja menor que este ano. Você vai ter uma percepção que a renda não está caindo por causa dos aumentos salariais", disse Cover, mencionando suas expectativas de algum respiro nas reformas residenciais e também em lançamentos e na área de infraestrutura.

A perspectiva de uma taxa de desemprego mais estável e o lançamento da terceira fase do programa habitacional Minha Casa Minha Vida também podem colaborar para atenuar o resultado no próximo ano.

O mercado imobiliário sofre com estoques altos, restrição de crédito e queda da confiança do consumidor, o que tem afetado vendas e lançamentos das construtoras, além de postergação de reformas. No setor de infraestrutura, muitas empreiteiras também são afetadas pelos desdobramentos dos escândalos de corrupção da operação Lava Jato.

Historicamente, o setor imobiliário responde por 32 por cento das vendas de materiais de construção no país, enquanto o de infraestrutura chega a 18 por cento. As reformas residenciais correspondem a 50 por cento do total.   Continuação...