Alta acumulada do IPCA-15 supera 10% em novembro, maior nível em 12 anos

quinta-feira, 19 de novembro de 2015 10:01 BRST
 

SÃO PAULO (Reuters) - Pressionada pelos preços de combustíveis e alimentos, a prévia da inflação oficial do país acelerou em novembro e ultrapassou o patamar de 10 por cento no acumulado em 12 meses pela primeira em 12 anos, destacando a dificuldade do Banco Central de conter a alta dos preços mesmo com a economia em recessão.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) registrou alta de 0,85 por cento em novembro, depois de subir 0,66 por cento em outubro, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira. Esse é o nível mais elevado para o mês desde 2010 (+0,86 por cento).

Com isso, o resultado acumulado em 12 meses até novembro do IPCA-15 chegou a 10,28 por cento, contra 9,77 por cento no mês anterior, maior nível desde novembro de 2003 (+12,69 por cento).

Pesquisa da Reuters apontou que as expectativas de economistas eram de avanço de 0,83 por cento na comparação mensal e de 10,26 por cento em 12 meses.

O item combustível foi o principal responsável pela alta do IPCA-15 em novembro, respondendo por 35 por cento do índice após alta nos preços de 5,89 por cento. O aumento da gasolina nas bombas, que acumula 6,48 por cento entre outubro e novembro, veio da alta de 6 por cento nos preços das refinarias, reajuste em vigor desde o dia 30 de setembro, ressaltou o IBGE.

Com isso, o grupo Transportes foi o que apresentou a maior variação em relação ao mês anterior, ao acelerar a alta a 1,45 por cento neste mês, sobre 0,80 por cento.

Alimentação e Bebidas também exerceu forte pressão, com alta dos preços de 1,05 por cento, contra 0,62 por cento em outubro.

Diante da resistente pressão dos preços, o BC jogou a toalha e reconheceu que não conseguiria trazer a inflação para o centro da meta --de 4,5 por cento pelo IPCA, com margem de dois pontos para mais ou menos-- no final de 2016, postergando o objetivo para o final de 2017.

Na próxima semana, o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC se reúne novamente para decidir sobre a taxa básica de juros, e a expectativa é de que seja mantida em 14,25 por cento.   Continuação...