Inflação e desemprego atingem níveis recordes no Brasil apesar de ajustes

quinta-feira, 19 de novembro de 2015 14:38 BRST
 

Por Camila Moreira

SÃO PAULO (Reuters) - A prévia da inflação oficial brasileira e a taxa de desemprego voltaram a atingir níveis recordes, desenhando um cenário complicado para a economia brasileira no próximo ano, embora as medidas de ajuste fiscal estejam no caminho certo para pavimentar um cenário de recuperação, acreditam economistas.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) acelerou a alta a 0,85 por cento em novembro, e no acumulado em 12 meses chegou a dois dígitos, a 10,28 por cento, nível mais alto em 12 anos, o que destaca a dificuldade do Banco Central de conter a alta dos preços mesmo com a economia em recessão.

O nível elevado de inflação vem se mantendo mesmo com a franca deterioração do emprego no país. Em outubro, a taxa de desemprego subiu a 7,9 por cento, maior nível para o mês em oito anos, e a renda do trabalhador recuou. O aumento do desemprego se deu tanto pela maior procura de emprego como pelo fechamento de vagas.

A deterioração das contas públicas tem sido apontada como um dos principais fatores para manutenção da inflação em níveis elevados, apesar do aperto monetário promovido pelo Banco Central.

O setor público consolidado acumula déficit primário -- gastos maiores do que as receitas, mesmo sem contar com o pagamento do serviço da dívida-- de 25,7 bilhões de reais em 12 meses até setembro, equivalente a 0,45 por cento do PIB. O governo prevê que o rombo neste ano do setor público ficará entre 48,9 bilhões e 117 bilhões de reais

"Tem que seguir cortando gastos e aumentando a arrecadação. Não tem muito o que fazer, e isso só mostra como o cenário é complicado", destacou a economista-chefe da consultoria Tendências, Alessandra Ribeiro. Para ela, sem os ajustes o cenário poderia ser ainda pior, com inflação mais alta e maior aumento da taxa de juros.

O governo conseguiu nesta semana algumas vitórias importantes no Congresso, com a manutenção de vetos presidenciais a medidas que aumentariam os gastos públicos. Agora busca a aprovação do orçamento de 2016, principalmente da recriação da CPMF, contribuição sobre movimentação financeira, para garantir que as contas voltem a registrar superávit no próximo ano.

"O ajuste está sendo feito como é possível. Se não tem espaço no orçamento para cortar mais, tem que aumentar impostos no curto prazo. Não é o ajuste ideal, mas por enquanto é o que dá para fazer", destacou o economista-chefe do banco ABC Brasil, Luis Otávio Leal.   Continuação...