Hidrelétricas do Rio Doce podem ficar meses paradas após rompimento de barragem

quinta-feira, 19 de novembro de 2015 18:51 BRST
 

Por Luciano Costa

SÃO PAULO (Reuters) - Após o rompimento de uma barragem da mineradora Samarco em Mariana (MG), as hidrelétricas do Rio Doce podem ficar paralisadas por "meses", segundo especialistas ouvidos pela Reuters, que não souberam precisar quanto tempo seria necessário para que a água fique limpa o suficiente para gerar energia.

Quatro hidrelétricas suspenderam operações após o desastre em 5 de novembro, em um total de cerca de 790 megawatts em potência. Duas das usinas pertencem à Aliança, uma parceria entre Cemig e Vale, enquanto uma é da EDP Energias do Brasil e outra tem como sócios Neoenergia, Cemig e Furnas, da Eletrobras.

Segundo o professor da Universidade Federal de Itajubá (Unifei) Geraldo Lúcio Tiago Filho, é preciso esperar que a lama e os sedimentos passem pelo rio ou assentem no fundo do reservatório para então analisar se a qualidade da água permite a retomada da operação nas usinas.

"Se essa água passar assim pelas turbinas, vai trazer prejuízo às máquinas... é preciso esperar o nível de sedimentos na água chegar a condições aceitáveis. Pelo menos alguns meses vai demorar", disse Tiago Filho.

A diretora da Engenho Consultoria, Leontina Pinto, também mostrou preocupação com eventuais danos que a condição das águas no Rio Doce poderia causar nas usinas.

"Vai demorar muito tempo para que as turbinas (dessas hidrelétricas) possam rodar em condições mínimas de segurança, sem comprometer a vida útil dos equipamentos", apontou.

Além das usinas que estão paradas, uma pequena hidrelétrica do Grupo AVG, com 1,8 megawatt, foi totalmente destruída pela lama que tomou o Rio Doce logo no mesmo dia do estouro da barragem.

  Continuação...