Inadimplência e provisões da Caixa sobem em trimestre fraco

sexta-feira, 20 de novembro de 2015 17:33 BRST
 

Por Guillermo Parra-Bernal e Tatiana Bautzer

SÃO PAULO (Reuters) - O lucro recorrente da Caixa Econômica Federal caiu 99 por cento no terceiro trimestre, com o aumento da inadimplência forçando o banco estatal a desacelerar o crescimento da oferta de crédito e elevar as provisões para empréstimos duvidosos.

O lucro recorrente, ou resultado antes de itens extraordinários, foi de 22 milhões de reais de julho a setembro, o menor em oito anos. O lucro líquido subiu 60 por cento, na mesma base de comparação, para 3,037 bilhões de reais, devido ao lançamento de créditos tributários ativados com o aumento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL).

O índice de inadimplência medido por pagamentos de empréstimos com atraso acima de 90 dias subiu para 3,3 por cento no terceiro trimestre, contra 2,9 por cento no segundo trimestre.

O salto da inadimplência, o maior desde ao menos 2010, foi decorrência de uma deterioração na qualidade do crédito ao consumidor e para pequenas e médias empresas, segundo a Caixa.

Como resultado, o banco foi forçado a elevar as provisões para crédito de liquidação duvidosa para o recorde de 6,123 bilhões de reais no último trimestre, dos quais 1,054 bilhão de reais veio pelo uso de créditos tributários.

Os números demonstram a rápida deterioração das perspectivas para a Caixa, principal concessora de crédito imobiliário no Brasil e um dos instrumentos do governo federal desde 2008 para estimular a economia em meio à crise financeira e econômica global deflagrada pela quebra do Lehman Brothers.

O vice-presidente de Finanças da Caixa, Márcio Percival, disse em entrevista que a inadimplência excluindo a do crédito imobiliário subiu mais de um ponto percentual no terceiro trimestre, para 6,2 por cento.

O crédito imobiliário representa 55 por cento da carteira total da Caixa de 666,1 bilhões de reais.

Executivos do banco esperam que a carteira de crédito da Caixa cresça 12,5 por cento neste ano, contra alta de mais de 20 por cento em 2014.

As provisões para crédito permanecem em nível "confortável", mesmo diante da recessão da economia, disse Percival. As provisões acumuladas na Caixa estão em 32,7 bilhões de reais.

 
Logotipo da Caixa Econômica Federal em prédio no centro do Rio de Janeiro. 20/08/2014. REUTERS/Pilar Olivares