Banco Pan vê 2016 difícil e impacto maior da alta dos juros

terça-feira, 12 de janeiro de 2016 16:45 BRST
 

Por Aluísio Alves

SÃO PAULO (Reuters) - O Banco Pan, que tem como principais acionistas o BTG Pactual e a Caixa Econômica Federal, será mais afetado pelo cenário econômico do que a média do sistema bancário no Brasil por ser mais dependente de operações de crédito, disse o presidente da instituição, José Luiz Acar Pedro.

"Apesar de gerarmos receita crescente com serviços como consórcios e cartão de crédito, somos um banco de crédito, que vai continuar sendo nosso carro-chefe por um bom tempo", disse Acar Pedro em entrevista à Reuters. "(A crise econômica) estruturalmente não nos afeta. O problema é que o juro mais alto acaba refletindo no ritmo da carteira de crédito", afirmou.

O estoque de crédito do Banco Pan subiu 9,76 por cento em 12 meses até setembro, dado mais recente disponível. Isso é o dobro do avanço de 4,9 por cento do crédito livre do mercado no mesmo período, segundo números do Banco Central.

Desde que teve o controle comprado pelo BTG Pactual, em 2011, após uma fraude contábil que quase o quebrou, o Banco Pan vem alternando lucro e prejuízo, diante dos esforços para equilibrar a operação em meio à desaceleração da economia brasileira.

Diferentemente dos grandes bancos do país, que têm tido as receitas cada vez mais ligadas a tarifas cobradas por serviços, o Banco Pan depende fortemente de áreas como financiamento automotivo e consignado, que juntos respondiam por mais de 60 por cento da carteira do banco de 18 bilhões de reais no fim de setembro.

"O ano de 2016 vai ser um ano bem difícil e nosso resultado dependerá, em parte, do cenário econômico", disse o presidente do Pan.

Os comentários de Acar Pedro, um ex vice-presidente do Bradesco, evidenciam os maiores desafios dos bancos brasileiros, dos médios em particular, para lidar com um ciclo prolongado de fraca atividade econômica, inflação alta e mercado praticamente fechado para captação de recursos.

O setor automotivo, por exemplo, se retraiu ao menor nível em cerca de uma década em 2015. E a expectativa da Anfavea, associação das montadoras, é de que a indústria automotiva brasileira terá em 2016 o quarto ano seguido de contração.   Continuação...