ANÁLISE-Metas exigem bilhões e podem tornar invendáveis empresas da Eletrobras no Norte

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016 18:21 BRST
 

Por Luciano Costa

SÃO PAULO (Reuters) - O governo federal poderá se ver obrigado a flexibilizar regras impostas para a renovação de concessões de distribuidoras de energia se quiser atrair investidores privados para um processo de privatização de subsidiárias da Eletrobras que atuam no Norte do país, principalmente devido à deteriorada situação das empresas.

Por essas regras, as distribuidoras precisam atingir em até cinco anos metas de qualidade e de equilíbrio financeiro, sob pena de perda da concessão, o que deverá exigir fortes investimentos de um eventual comprador das empresas em um momento difícil para a captação de recursos no país.

A Eletrobras apresentou à União em assembleia uma proposta de renovar os contratos das concessionárias, incluindo empresas do Nordeste, e vendê-las em seguida, mas o governo federal pediu mais tempo para analisar o tema. A estatal também pleiteava um aporte bilionário nas companhias para deixá-las em mínimas condições de atender aos requisitos impostos pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

"As metas que a Aneel colocou são muito difíceis para a própria Eletrobras assinar o compromisso de atingi-las... e também são muito apertadas para um terceiro chegar e fazer em cinco anos", apontou o consultor Fernando Maia, da Bench Consultoria.

O sócio da consultoria Exittus, Eduardo Sormanti, tem opinião semelhante.

"Não vejo solução para essas empresas que não a privatização... mas o investidor não entraria nesse ponto sem ter uma segurança. A regra hoje é muito rígida, se em dois anos consecutivos não cumprir as metas já pode perder a concessão", disse.

As distribuidoras da Eletrobras, que atendem Acre, Alagoas, Amazonas, Piauí, Rondônia e Roraima, acumulam mais de 9 bilhões de reais em prejuízos desde 2010, segundo levantamento feito pela Reuters. Somente a Amazonas Energia já representou quase 6,5 bilhões de reais em perdas no período.

A situação mais crítica é das companhias que atuam no Norte, que têm indicadores piores e desafios maiores para eventuais novos concessionários, até pelas características geográficas e demográficas da região.   Continuação...