Clima irregular tumultua mercado de soja em MT e tradings veem atrasos nas entregas

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016 11:07 BRST
 

Por Gustavo Bonato

SINOP, Mato Grosso (Reuters) - Tradings de soja trabalham sob tensão no norte de Mato Grosso com a possibilidade de que alguns contratos de entrega do produto não sejam cumpridos nas próximas semanas dentro do prazo previsto, após problemas climáticos atrasarem a colheita e afetarem as produtividades.

Mato Grosso, maior Estado produtor de grãos do país, sofreu com falta de chuvas no início da safra, prejudicando o calendário de semeadura. Enfrentou também precipitações muito irregulares no fim de 2015, provocando perdas em diversas lavouras.

Desde a virada do ano, as chuvas voltaram para esta região, mas as preocupações não se dissiparam.

Contratos firmados ainda no ano passado, com entregas de soja prevista para janeiro e início de fevereiro --as primeiras da temporada--, podem não ser cumpridos por produtores, obrigando grandes compradores a buscar alternativas, como pagar preços mais elevados pela soja disponível no mercado.

Na quinta-feira, no escritório de uma trading internacional em Sinop, o gerente da unidade observava pela janela a chuva forte caindo, mas lembrava-se do aviso que recebeu de muitos dos agricultores com os quais firmou contratos antecipados: "A entrega da soja vai atrasar 15 a 20 dias".

O problema é que os primeiros navios agendados e, principalmente, a fábrica de farelo e óleo da companhia, não podem ficar esperando parados em janeiro.

"Tem que ficar atento. Tenho que ter uma carta na manga", disse ele, sob condição de anonimato, revelando que já busca fornecedores que tenham soja para pronta entrega.

Nas contas desta trading, contratos firmados ainda no ano passado, com entrega prevista em janeiro, giravam na casa de 58 a 60 reais por saca de 60 kg. Atualmente, são oferecidos 66 reais para o agricultor que tiver o produto para carregamento imediato.   Continuação...

 
Plantação de soja em Primavera do Leste, Mato Grosso.    07/02/2013     REUTERS/Paulo Whitaker