Hidrelétrica Jirau negocia com governo para evitar desembolsos de acionistas

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016 14:50 BRST
 

Por Luciano Costa

SÃO PAULO (Reuters) - A hidrelétrica Jirau, que já iniciou operação mas que ainda tem obras para serem concluídas em Rondônia, está negociando com o governo federal soluções para evitar que seus acionistas, que incluem a francesa Engie, a estatal brasileira Eletrobras e a japonesa Mitsui, precisem injetar mais dinheiro no bilionário empreendimento.

A informação é de Vitor Paranhos, presidente do consórcio ESBR, responsável por Jirau, que terá 3,7 gigawatts em capacidade quando concluída, a quinta maior usina do Brasil, com investimentos anunciados de 17,3 bilhões de reais.

De um lado, disse o CEO do consórcio à Reuters, Jirau tenta autorização para parcelar um pagamento de cerca de 360 milhões de reais que precisará ser feito neste início de ano, referente à compra de energia no mercado para compensar a menor produção da usina em 2015, quando a seca prejudicou as hidrelétricas do Brasil em geral.

De outro, a usina tenta obter um perdão governamental para um atraso de cronograma causado por greves e depredações ocorridas em seu canteiro de obras em 2011 e 2012.

Paranhos disse que tem conversado com o Ministério de Minas e Energia e a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para parcelar os 360 milhões de reais, uma vez que a companhia ainda precisa investir cerca de 680 milhões de reais em 2016 para concluir a hidrelétrica.

"Estamos em ritmo extremamente acelerado (de obras)... os sócios não têm como colocar dinheiro no projeto e pagar mais esse valor. Isso exigiria uma capitalização de 1 bilhão de reais. O que estamos pedindo é que seja encontrada uma solução para continuarmos nesse ritmo", afirmou Paranhos.

O ministério e a agência reguladora abriram a possibilidade de um acordo para compensar parcialmente as perdas das hidrelétricas em 2015, mas a proposta exige que as empresas quitem no início deste ano os passivos pela geração inferior para receber em troca um crédito contábil.

Segundo Paranhos, Jirau formalizará ainda nesta sexta-feira a aceitação da proposta, mas tentará negociar o parcelamento por entender que a usina possui um fluxo de caixa diferente da maior parte dos empreendimentos, por ter iniciado a operação recentemente e ainda estar em obras.   Continuação...