Após forte sinalização, BC tem pouco espaço para não subir juros agora

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016 14:29 BRST
 

Por Flavia Bohone

SÃO PAULO (Reuters) - O Banco Central tem pouco espaço para não subir os juros agora, sem arriscar sua credibilidade, depois dos sinais e recados transmitidos recentemente ao mercado apontando para a elevação da Selic na reunião do Copom desta semana, ainda que a eficácia da medida seja discutível, avaliam economistas.

"Teremos juros mais altos, com a expectativa de inflação muito perto do que está agora e com a consolidação da piora da trajetória da relação dívida/PIB", disse o economista-chefe do Banco Fator, José Francisco de Lima Gonçalves.

"Então, não deveria subir, mas a essa altura do campeonato isso é irrelevante porque eles já plantaram isso... e a hipótese de não subir juros agora não existe", acrescentou.

O ex-diretor do BC Alexandre Schwartsman é até mais enfático na necessidade de o BC elevar os juros para reafirmar sua independência, mas não só por isso.

"Se não subir, fica muito difícil negar a história (de interferência política) porque a sinalização foi muito forte", disse Schwartsman, que acredita que o BC precisa fazer isso também para evitar que os custos para conter a alta dos preços sejam ainda maiores no futuro.

"Se não fizer nada agora, a inflação vai crescer e vai ficar mais difícil tratar lá para frente... A gente perdeu o bonde de fazer isso com custo baixo lá em 2011 e 2012", disse.

A alta da taxa básica de juros mostraria o compromisso do BC com a convergência da inflação para o centro da meta em 2017 --de 4,5 por cento com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual-- justamente no momento em que a turbulência econômica e política têm dificultado a aprovação de medidas do ajuste fiscal.

"À essa altura, a melhor contribuição que um Banco Central pode dar para ajudar a gerar emprego e renda é controlar a inflação", disse o diretor de pesquisa econômica para América Latina do Goldman Sachs, Alberto Ramos. "Uma das razões para o sentimento tão negativo (na economia) é a inflação descontrolada."   Continuação...