Barbosa diz que melhora do crédito direcionado não contraria ação do BC para conter inflação

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016 17:43 BRST
 

Por Marcela Ayres e Alonso Soto

BRASÍLIA (Reuters) - O ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, disse nesta segunda-feira não enxergar contradição no combate à inflação pelo Banco Central e, ao mesmo tempo, na melhoria de crédito direcionado pelo Executivo, ação que está sendo gestada pelo governo para estimular a economia.

Em coletiva a agências de notícias estrangeiras, Barbosa avaliou que é obrigação do governo melhorar as linhas de crédito direcionado, acrescentando que há volume de "liquidez substancial" no sistema financeiro brasileiro para esse fim, sem que haja necessidade de equalização por parte da União.

Segundo o ministro, essa melhoria deverá contemplar crédito direcionado a capital de giro para micro e pequenas empresas, crédito para exportação, para construção civil e para a agricultura. Ele se esquivou de dar mais detalhes em termos de volume e taxas.

Nesta semana, o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC se reúne para a definição da taxa de juros, atualmente em 14,25 por cento ao ano. A expectativa dominante no mercado é de alta nos juros, após a autoridade monetária ter sinalizado a retomada do ciclo de aperto diante da desancoragem das expectativas para a inflação.

Alguns especialistas, contudo, considerem que a investida poderia se mostrar inócua, já que a demanda já estaria deprimida no país em meio à forte recessão econômica.

Durante a coletiva, o ministro disse não acreditar na existência de dominância fiscal, situação em que a política monetária estaria perdendo sua eficácia diante dos desarranjos nas contas públicas.

"As ações de política monetária claramente têm efeito sobre expectativas de inflação", disse.

Em outro momento, apontou que o maior desafio macroeconômico hoje é fiscal, e não cambial. Com a valorização do dólar frente ao real também influenciada por instabilidades políticas e fiscais, aumentam as pressões sobre os preços domésticos.   Continuação...

 
Ministro da Fazenda do Brasil, Nelson Barbosa, falando com a imprensa. 25 de agosto de 2015. REUTERS/Ueslei Marcelino